O PROJECTO

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terça-feira, junho 24, 2003

 

Inocências

Após infindáveis lutas com o computador consigo finalmente publicar aqui qualquer coisa, o que até vem a calhar porque ainda podiam pensar que a humilde participação era mesmo so a apoiar e sem mexer uma palha.

O que vai dentro da cabecita de um estudante de arquitectura? Muita, muita, mas mesmo muita confusão...pelo menos dentro da deste aqui.Os textos que se seguem foram escritos durante a transição do 2º para o 3º ano e se não são própriamente um contributo para o desenvolvimento teórico da arquitectura também não creio que sejam um grande atentado. Perdoem a obcessão pelo limão.



ARQUITECTURA?

Que pergunta...o que é um limão? Um limão é um citrino, um fruto amarelado, normalmente com um paladar pouco adocicado e muito ácido.
Todos vieram na inconsciência do que era arquitectura, guiados por alguma razão interna que lhes apontava um provável futuro no ramo. Mais de 10 já desistiram, a bússola estava avariada....mas não desistiram por saberem o que é arquitectura e saberem que não a queriam. Se o aluno de quinto ano é capaz de dar a definição de arquitectura, aquela que se podia encontrar no dicionário, então algo está mal, o aluno entrou com a cabeça aberta e saiu com um limão na mão. A arquitectura não deixa de ser o que é, no entanto a definição torna-se constrangedora. Mas é uma prática, uma actividade quase como qualquer outra, semelhante á mais básica das actividades que sustentam o Homem e ao mesmo tempo semelhante à mais complexa e inútil das actividades humanas...quase que podia ser assim, mas estamos a falar de arquitectura, é melhor ficarmos com o limão, afinal falar de um fruto amarelo com alguma acidez está longe de definir o que é um limão.


A ILUSÃO

A grandeza de poder fazer, do poder eventualmente ser, da possivel conquista.
Existe tudo desde o início, a pequena semente está lá, germina, e impele-nos para a frente. Mas também existe a desilusão, do não poder, do já não querer. A forma como se passa de uma para a outra é das mais pérfidas e passa pelo, lá está, professor. Que grande animal, esse tipo que nos seduz com a poética adquirida na profissão e que no instante seguinte nos corta as pernas...mas não faz mal, o que conta é o aluno, não é a opinião do professor, o aluno aprende por si, por si se desenvolve e por si mesmo se critíca. O professor não existe. A assunção de que contratar o tipo que projectou o edificio X vai ser excelente porque vai ser capaz de ensinar muito melhor o aluno é ridícula...o pedagogo ficou em casa, o professor delira com as utopias que tinha vontade de construir mas que não pode e cujos repflexos vê na nova geração. Mas ele sabe, e demonstra que sabe, consegue falar interminávelmente sobre uma tematica e iluminar os ouvintes, e então, quando finalmente diz “ Eu não vos posso ensinar nada...” tem razão, o homem afinal de contas é apenas isso. Mas a frase está incompleta, na realidade ele diz “ Eu não vos posso ensinar nada que não saibam ja, so estou aqui para vos mostrar que voçês sabem que sabem”. Aqui sim, percebemos...temos realmente um limão, senão mesmo O Limão, na mão. AD

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