O PROJECTO

Contribuições, insultos, projectos de execução, mas principalmente donativos chorudos para:

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sexta-feira, dezembro 19, 2003

 

Bom Natal

E agora, se me dão licença, retiro-me por uns dias e vou ali comemorar o nascimento de um menino que mudou o mundo. Até à vista. LAC
 

o mamarracho de Cavaco

Sobre o actual Prémio Valmor (ver abaixo) o Professor subscreveu em 1999 um abaixo-assinado contra o irreparável dano arquitectónico que o imóvel iria causar à Faculdade de Economia, ao património da universidade e à cidade.
Caro Professor, façamos assim. O senhor candidata-se em 2006. Eu voto no senhor. Até porque isso significaria aquilo que sabemos que significaria. Sim. Esse mesmo. Dizia que votava em si. Mas a troco de uma coisa: não fale do que não sabe.
Obrigado. LAC
 

6 anos depois, o Prémio Valmor

Nem combinado. Não fazia ideia. O Prémio Valmor foi atribuído este ano ao edifício da reitoria da Universidade Nova de Lisboa, dos irmãos Aires Mateus, ex-aequo com um imóvel do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, de Hestenes Ferreira.

Só contado.

Precisamente na semana que falava das duas linhas que indentificava na arquitectura de hoje.

Raul Hestenes Ferreira é um discípulo de Kahn. Não preciso de dizer mais nada. Mentalmente arrumo-o na segunda gaveta, a expressionista se quisermos.

Para arrumar os irmãos Aires Mateus na primeira gaveta basta-me a sua convicção que desenharam «uma folha a adejar no ar, um edifício o mais fino possível». Esta posição de desenhar edifício o mais fino possível, o mais leve, o mais transparente, o mais subtil. Por isso falo da anulação da arquitectura.

Resta dizer que são os dois lindíssimos. Sim, é de beleza que se fala. LAC
 

é isso mesmo

Tudo o que me apete dizer sobre o aborto disse-o o JPC:

« (...) o aborto exige que o Estado tenha uma posição clara sobre o assunto - uma posição que, no essencial, justifica a permanência do Estado no seio de uma comunidade civilizada. (...) O feto é uma promessa de vida que não deve ser confundido com um tumor maligno, um quisto sebáceo ou um ataque de aerofagia. Mais: se o Estado se demitir desta função (reguladora), como aconselha a frondosa retórica liberal, isso não seria apenas um erro moral - um erro capaz de alienar uma parte considerável da maioria moralmente sensível de uma comunidade. Seria um erro político - um erro que implicaria a quebra de lealdade e de confiança que eu deposito no Estado para que este proteja valores essenciais para a sobrevivência de qualquer sociedade minimamente sensível. Porque a pergunta resume-se a pouco: se o Estado não protege uma vida, ou uma manifestação de vida, ou uma promessa de vida - para que serve o Estado, afinal?» LAC

quarta-feira, dezembro 17, 2003

 

«Os Dois Caminhos»: exploração da fragilidade

Talvez tenha sido o nome pomposo, ou a extensão do post que daria a entender uma ideia mais sedimentada, mas a verdade era que não passava de um desabafo, uma pincelada livre.
Escrever num blogue carrega este perigo, esta exposição. Este carácter abrupto, directo, quase instintivo. Temos de aceitar isto, sem preconceitos. Um blogue é, mais do que tudo, uma pista previligiada para o disparate.

Os comentários ao post «Os Dois Caminhos» levam-me a querer explicar um pouco do que ficou por dizer. Nomeadamente um comentário do Pedro Jordão, que dizia (e bem) concordar com a «fragilidade» do post. Tenho a impressão que esse é o único ponto característico deste blogue, ter ideias frágeis, voláteis, questionáveis, pessoais. Mas o que o Pedro disse leva-me a considerar que me expliquei mal. Dizia que não encontrava similaridades entre a obra dos ARX e o da Contemporânea. Como (achava eu) é óbvio nunca quis deixar a entender que era isso que pensava.

Reformulo e continuo.

Hoje vale tudo. Literalmente. Numa época sem manifestos de fundo, sem ideologias claras, sem modelos fortes, o campo de acção do arquitecto é virtualmente ilimitado.
O «star-system» produziu um efeito claro: o aumento considerável do orçamento disponível para os grandes empreendimentos. O investidor sabe que o nome do arquitecto só por si pode ser garantia de retorno financeiro. Por isso está disposto a esticar a corda para satisfazer todas as exigências da prima-donna. Nunca antes se verificou isto, a não ser talvez com a arquitectura dos regimes centralizados. No entanto aqui tratava-se de propaganda, por isso a liberdade era condicionada a preconceitos do Estado.
Valendo tudo o que nos vale? Como nos balizamos? Como fazer crítica sem nos limitarmos a parâmetros quantificáveis? Como identificar a qualidade arquitectónica? Que atitude ter?

É neste quadro que digo que há dois grupos distintos de posicionamento perante a responsabilidade do desenho. Há os que optam por reduzir ao máximo a expressão arquitectónica, sendo que isso é, talvez paradoxalmente, uma força brutal de expressão. Encaram uma obra como «pano de fundo», criando as condições óptimas para o desenrolar da actividade humana. Se quisermos é uma atitude que atribui a esta mesma actividade humana o protagonismo do espaço. O espaço torna-se num suporte que, no cenário mais procurado, se adapta ao maior número de acontecimentos possível. Não foi por acaso que falei nos Promontório. Ouvi numa conferência Paulo Martins Barata descrever o átrio do edifício da Xerox usando precisamente este argumento: a sua adaptabilidade quase camaleónica. Por isso também usei a expressão «altruísmo». Talvez aqui tenha sido ingénuo. Esta atitude pode ser entendida como uma reacção a este contexto de ano 2000, se século XXI. A arquitectura torna-se provocadora porque não alinha nesta euforia positiva, de tecnologia desenfriada. Quere-se intemporal, como as pedras.

Por outro lado há uma outra reacção que se observa. Se o arquitecto tem a fabulosa oportunidade de comunicar através do edifício, porque não potenciar essa comunicação ao máximo? Está claro que aqui o protagonista é o objecto. A experiência do edifício quere-se forte e impressiva. O observador / utilizador é constantemente estimulado a interagir, a reagir. A arquitectura como obra de arte e sobretudo como obra de arte. A manipulação descomplexada da forma e côr, da materialidade. Aqui acredita-se na integração pela excepção, em oposição a uma integração pela harmonia. Considerando isto, e apenas considerando isto, os ARX apresentam uma atitude peranto o objecto semelhante à Contemporânea: ambos encaram o edifício como forma manipulada intencionalmente, sem se reduzir a ser o resultado de alguma coisa exterior. A opção pela opção, a pura escolha arquitectónica. Talvez seja por isso que o Pedro considere a obra de Manuel Graça Dias e Egas José Vieira mais discutível, porque se apoia em critérios mais ou menos livres de escolha.

Seja como fôr reafirmo que não pretendo separar a arquitectura em dois. Há, com certeza, muitas obras às quais este binómio não é aplicável, que escapam a esta análise. Nem tenho a pretensão de querer «vender» esta ideia. Trata-se, como disse, de uma impressão (tal como na arte) profundamente pessoal, que me ajuda a ler a arquitectura. LAC

terça-feira, dezembro 16, 2003

 

Dese(stabilizado)jo Casar

O Desejo Casar é um bom blogue. Tem muita malta que eu leio, muita malta que não leio e muita malta que nem sequer conheço. Em suma, tem muita malta. Um deles é arquitecto. Como é óbvio o arquitecto já desestabilizou o resto da malta. No fundo é isso que fazem, os arquitectos, não é? Desestabilizam tudo. Irra! LAC
 

Ser «moderno»?

Não é estar permanentemente na ponta aguçada da vanguarda. Isso é certo. Os que assim vivem não existem, são espelhos com pernas que não sabem o que são. Inquietos, não perdem uma actualização, seja no vestir ou na música. Não analisam, não reflectem, não confrontam. Nunca olham para trás. Por isso não são modernos.
Então o que é ser moderno?
Não há lugar para pessimistas. Lamentações saudosistas não andam de braço dado com a modernidade. Há que acreditar minimamente nos dias que correm, que o mundo de hoje é, algures, melhor do que o de ontem. Não é fácil, exige um olhar crítico acutilante.
Exige também outra coisa.
O que estamos nós aqui a fazer se não acreditamos que podemos mudar o mundo? Parece uma expressão de candidata a miss mundo? É muito mais do que isso. Ser moderno implica viver hoje e aqui, motivados pela certeza que o futuro é da nossa responsabilidade. Por isso quer queiramos quer não nós mudaremos o mundo (nem que seja depois das três da manhã).
Há quem se demita desta certeza.
Mas não conseguem. Só morremos quando morrer a última pessoa que ouviu falar de nós. Esse é o legado que deixamos. A memória constrói-se diária e colectivamente. É difícil compreender o longo prazo da memória, que ultrapassa a nossa condição humana, insignificante, limitada e breve.
Ah! parece que chegámos a um sítio qualquer.
Então ser moderno é ter memória? É, mas sobretudo construí-la. O património de hoje foi sempre modernidade de então. ESTA É A VERDADE. E mesmo a História é trapaceira. Vestida no seu manto imune leva a consciências deturpadas. Suportar a vida em historicismos duvidosos, viver preso a um passado idílico que nunca existiu senão na nossa cabeça, é semelhante ao depressivo que não sai da cama. Como diz Mario Vargas Llosa «a História é uma ciência carregada de imaginação.»
Então afinal é estar na vanguarda permanente?
O futurismo é uma ciência ainda mais fracassada. Um exercício muito interessante é observar os cenários que foram sendo imaginados para o ano Dois Mil. Os vanguardistas alucinados deveriam tentar fazer essa simples análise, e reparar nas asneiras que os seus pares disseram e escreveram. Asneiras no bom sentido, pois a componente humorística é elevadíssima. Lembro-me agora de uma comparação casual: o cenário miranbulante da série animada The Jetsons, e o fantástico confronto psicológico e ambiental de um imaginário assustador e perigoso descrito em Minority Report.
Parece que não chegámos a nenhuma conclusão.
As conslusões são difíceis e ingratas. Ser moderno é ter consciência que a História não é mais do que uma sequência de «hojes», de presentes, de intantaneidades. Ensinam-nos na escola: «a História é uma maneira de conhecer o passado, compreender o presente e projectar o futuro.» Repare-se na pedra-chave: «e projectar o futuro».
Ei-la - a conclusão.
Afinal ser moderno é projectar o futuro. Pelo menos tentar. Porque sobre nós cai uma única certeza: o futuro está à porta, é real, vai existir. Ainda que quando lá chegarmos não percebamos. LAC

segunda-feira, dezembro 15, 2003

 

o verdadeiro problema

Pois é. Prenderam o homem. Não se fala noutra coisa. Mas a verdadeira questão parece que está a escapar. Para os mais atentos disse-se que Saddam foi encontrado num buraco a cinco metros de profundidade, escuro e sombrio. Ora é óbvio que estamos perante uma falta de condições gritante na habitação do Iraque. A ordem dos arquitectos já se pronunciou? O buraco tinha ventilação? Luz natural? Um bom isolamento térmico? Era esteticamente agradável?
Isto sim, meus amigos, é violência. Se nem um ex-ditador-sanguinário tem direito ao seu abrigo legal e normalizado, então o que poderemos esperar? Queremos ou não um Iraque moderno e dinâmico? E aqui sim tocamos no ponto fulcral: quem desenhou aquele buraco? Decerto não foi um arquitecto. Só pode ter sido um engenheiro sem a formação adequada.
Juntemo-nos e derrubemos o 73/73 do Iraque! LAC
 

perturbação

O porteiro sem-abrigo que se aninha à porta da Ordem dos Arquitectos é uma metáfora irónica e preocupante. LAC

sexta-feira, dezembro 12, 2003

 

distâncias

O transporte ferroviário aproxima. A ferida aberta no território afasta. Passo os dias a lidar com este paradoxo. LAC

quinta-feira, dezembro 11, 2003

 

a ver na TV

A não perder hoje, às 19.00, no defunto Canal 2: Technopolis. «Technopolis explica, em 10 episódios, como é que funcionam as grandes cidades modernas do mundo ocidental, de que forma as modernas tecnologias enfrentam os desafios lançados à nossa qualidade de vida.» LAC
 

LCA

Já ninguém se entende quando à aritmética do Desejo Casar. Ninguém sabe quantos são e de onde vêm. Eu só sei uma coisa: gosto muito dos posts do Luis Camilo Alves. LAC

quarta-feira, dezembro 10, 2003

 

A Condição Arquitecto

Os arquitectos têm o (saudável) hábito de falar muito sobre os si mesmos. É uma característica do exercício da profissão, observar e avaliar o trabalho dos outros. Seja na crítica das revistas, na avaliação de concursos, em conferências, etc., o arquitecto fala sobretudo de arquitectos. Os nomes tornam-se marcas identificadas.
Como disse, isto só por si é bom. É sinal de abertura de espírito, de comunicação, de partilha, de aprendizagem mútua. Mas a realidade não é bem assim. E isso transparece para fora.
Os médicos não falam sobre outros médicos. Não me lembro de ouvir qualquer comentário numa consulta ao trabalho de outro médico. Os advogados também se abstêm de fazer comentários públicos sobre o trabalho dos seus pares. Porquê? Porque se regem por uma «ética» intrínseca. Há a preocupação de gerar uma credibilidade colectiva que permita a sua boa imagem na sociedade. Para o bem e para o mal há um estatuto social que é construído.
Os arquitectos estão-se marinbando para isto. Querem lá saber da imagem da classe. É frequente ver-se nos jornais arquitectos comentando obras polémicas dos seus pares, muitas das vezes revelando divergências de fundo. Que impressão é que isto dá para quem lê? O público, potencial cliente, vê hoje em dia nos arquitectos uma classe demasiado preocupada consigo mesma, que gasta demasiada energia sobre si própria. Uma pescadinha de rabo na boca.
A questão dos concursos é crónica. Sabemos que os critérios de avaliação não são tão objectivos como gostaríamos. Há sempre uma componente subjectiva que pode ser invocada para justificar todo o tipo de jogos de cintura, de falta de transparência, de processos menos claros. Invariavelmente, nos grandes concursos, são «sempre os mesmos», alternando o papel de júri e de concorrente. Isto gera um clima de desconfiança nada agradável. Mas este problema só por si é suficiente para páginas e páginas...
Voltemos à questão da classe. Os profissionais de arquitectura não se devem esquecer que para quem está de fora tudo isto cheira mal. A arquitectura não tem coesão ao nível do público. O arquitecto não coneguiu ainda ganhar o estatudo que merece. Para isto contribui a má gestão das condições base do exercício da arquitectura, a crítica e os concursos. Como se explica que, apesar de se criticar abertamente uma obra, não se deseja que ela nunca tivesse sido construída? Como se explica que mesmo criticando aquela obra será sempre melhor pela mão de um arquitecto do que outro profissional qualquer? Como se explica que a arquitectura só evolui discuntido-se?
Saluta-se por isso o inquérito à arquitectura portuguesa do séc. XX que a ordem está a promover. Mais do que uma feira de vaidades e favores, deverá ser uma enorme divulgação das qualidades da arquitectura, tentando provar os benefícios que traz à sociedade. Esta visão é um bocado simplista, eu reconheço. Mas às vezes temos de ser simplistas, deixar cair o manto intelectual e erudito, e falar directamente ao ouvido popular. Estando sempre consciente dos perigos que isto traz.
Não deixa de ser irónco que o movimento de maior base social na história da arquitectura, o movimento moderno, tenha sido aquele que mais se afastou da apropriação e identificação popular. Foi motivado por uma forte convicção que era possível tornar o mundo num sítio melhor, que era possível dar condições de habitação mínimas a todos, e acabou num fenómeno essencialmente teórico, onde só os arquitectos se emocionam.
Vão lá tentar defender a Villa Savoy face a qualquer casa da pradaria de Lloyd Wright para perceber o que estou a dizer. LAC


 

se calhar sou só eu

Tenho a impressão que vivemos num tempo onde a retórica atingiu o seu máximo histórico. Tudo é argumentável. Chamamos a isto liberdade de expressão. LAC
 

mérito

Extasiado,
Uma
Recompensa
Obteve.
Parabéns
André!
Nice...

LAC

terça-feira, dezembro 09, 2003

 

a obsessão do planeamento

Todos os mílimetros estavam previstos. Nada tinha escapado ao desenho. A área estava toda coberta, catalogada e referenciada. Havia certezas sobre tudo. O plano era rigorosíssimo.

Então alguém perguntou:

«Onde é que se namora na vossa cidade?»
LAC
 

O bom filho a casa regressa

Bem vindo de volta Ricardo.
 

Os Dois Caminhos

Actualmente na arquitectura sentem-se duas atitudes possíveis bem distintas. Numa época sem manifestos, sem estilos, sem correntes, essas atitudes não são explícitas, mas estão bem presentes. São, na minha opinião, duas abordagens radicalmente diferentes. Tem a ver com a própria visão do papel da arquitectura na sociedade, aquilo que ela pode dar, pode constibuir, pode influenciar. Tem também a ver com o papel do arquitecto, enquanto actor principal. Delas provêm todas as correntes que actulamente podem ser identificadas a nível mundial.
A primeira, que é mais presente em Portugal, aborda a arquitectura como pano de fundo, como suporte. O edifício deve acima de tudo dar as condições para que a vida se desenrole naturalmente. Integra-se o mais possível na envolvente procurando essencialmente a harmonia, o diálogo entre os vários intervenientes urbanos. Produz facilmente objectos inexpressivos, mudos. Produz contudo também obras magníficas, subtis e sublimes. Às vezes parece que se demite de existir, adoptando um altruísmo urbano, se me é permitida a expressão. Está também muito relacionada com o aspecto de desenhar cidade, não só desenhar edifícios. Gosta dos materiais clássicos. Considera-os a base de toda a construção. Respeita-os ao ponto de torná-los protagonistas.
Está claro que num país como o nosso esta atitude é mais pacífica. Ela confere uma segurança a quem desenha, uma segurança medrosa, receosa. O projectista encosta-se a esta opção como meio de defesa. É num certo modo uma demissão de tomar opções. Quando não se tem certeza sobre o que se quer dizer, o melhor é não dizer nada. Infelizmente este caminho é sem dúvida frequentemente uma maneira de não dizer nada, de nada acrescentar.
A sua inspiração é o silêncio.
A segunda atitude é como já se disse o oposto disto. Acredita-se que a arquitectura é um meio previligiado de comunicação artística. O edifício deve reclamar para si uma identidade, demarcando-se dos outros, falando em alto e bom som que está ali. É um caminho bem mais arriscado. Pisa o risco e sofre com isso.
Não esquece, como pode parecer à primeira vista, as pessoas. Acredita que a maneira mais correcta de ter respeito pelo utilizador é estimulá-lo. Interagir com ele, provocá-lo, não sendo neutro. Corre o risco de ser datável, de época. Sendo expressiva é produto do ambiente, social, político, artístico. Produz, como o primeiro caminho, obras excelentes, de puro deleite arquitectónico, como edifícios-aberração, descontrolados e medonhos. É preciso que o arquitecto esteja muito seguro.
Não escondo a minha preferência pessoal pela segunda opção. Apesar de admirar enúmeras obras que reflectem a atitude mais democrática, se quisermos. Tenho muito presente a impressão que me causou a anulação quase total do gesto que é a Casa das Artes, no Porto. O edifício resume-se a um muro de pedra, apenas, desconcertante. Apesar disso os edifícios onde mais me apetece estar são geralmente produto de uma visão mais expressiva do objecto arquitectónico. Visitem as piscinas municipais da Oturela, de Manuel Vicente, para perceber o que estou a dizer. O prazer de pura diversão, de pura fruição espacial.
Em Portugal há dois arquitectos que representam o expoente de cada atitude, sendo também, para mim, os arquitectos mais influentes e importantes da sua geração. Falo de Eduardo Souto Moura, autor da referida Casa das Artes, e Manuel Graça Dias, que com Egas José Vieira forma o atelier Contemporânea. Outros podem ser referidos. Como exemplo refira-se o atelier Promontório, como exemplo da primeira atitude, ou o atelier ARX-Portugal, como exemplo da segunda.
Como lição a tirar disto tudo é a convicção forte que uma só existe porque é oposição à outra. Complementam-se e enriquecem-nos culturalmente. LAC

segunda-feira, dezembro 08, 2003

 

Contando carneiros

Se a semana passada foi a da 10.000ª visita, esta será a da 15.000ª pageview. Como se diz por extenso 15.000ª? LAC
 

cenas do próximo episódio

«to do list»: explicar o binómio interpretativo que submeto inconscientemente toda a arquitectura. Há evidências que nos parecem verdadeiras. O absurdo está perto. O mundo não é em preto e branco, tem várias tonalidades de cinzento. LAC
 

rés vés

Dedico este link àqueles que ainda não perceberam esta simples verdade: Campo de Ourique é, sem dúvida, o local para viver em Lisboa.

sexta-feira, dezembro 05, 2003

 

Show di bola

Na peça «Sete Minutos» acontece a dada altura um fenómeno curioso. Uma personagem diz que está ali, no teatro, para ver o show. O público solta uma gargalhada fermentada pelo ambiente. Mas ri de quê? Um velho, caso típico de comédia de carácter, apelida uma peça de teatro de show. Onde está o humor?
Talvez o motivo do nosso riso tenha a ver com a palavra inglesada show, que quando pronunciada com o sabor do calor brasileiro torna-se imediatamente uma caricatura. Mas há mais do que isso. Sabemos que o teatro não é nenhum show. Não é? Então o que é? Porque não é um show?
Isto está caro para todos. Até a tanga temos de comprar em saldos. Só há uma coisa que estamos dispostos em gastar: entretenimento. Para nos divertirmos largamos a nota preta, sem medos. Para esquecer. O público médio, ao qual eu não tenho a pretensão de querer fugir, exige da sua peça de teatro uma elevada componente de entretenimento, uma alta capacidade para o divertir, uma dose valente de show. É-lhe difícil conceber uma peça que tente ultrapassar essa bidimensionalidade. Ainda por cima porque é paga. O teatro hoje em dia transformou-se num show, que como qualquer outro vive dos palhaços e dos truques, do homem elástico e da mulher peluda, do rapaz que decorou a lista telefónica, do homem que engole fogo e cospe espadas, de ilusões.
A nossa vida tornou-se numa constante luta contra ela própria. Só vivemos para esquecer, para desanuviar, para nos iludirmos, para nos esquecermos que existimos.
Então porque rimos todos quando o pobre velho diz que veio para ver o show? Afinal, não viemos todos? LAC

 

um parêntesis para falar sobre política

Não escrevo neste blogue sobre política. Há muitos outros que o fazem de um modo muito melhor do que eu. Mas hoje apetece-me dizer algo.
O deputado do BE João Teixeira Lopes apelidou o CDS/PP de estrema-direita, a propósito da discussão sobre o aborto. Isto é uma declaração de puro terrorismo político. Não admito esta campanha de desinformação hodionda.
Desde o 25 de Abril que Portugal é o único país da Europa que não tem partidos de direita pura e dura, pelo menos com expressão, não me esqueço deles. Porém a extrema esquerda perdura, imaculada e legal. Portugal é hoje um país desiquilibrado. Profundamente comprenssivo e perdulário com a Esquerda (veja-se o caso das FP-25), e dogmaticamente sanguinário e implacável com a Direita. Esta quando chegou ao poder fê-lo sempre através de um distanciamento ideológico de campanha. Cavaco não se dizia de Direita, Durão é um ex- MRPP. A palavra pesa, traz consigo uma desadequada colagem ao Salazarismo, ao totalitarismo. Daí não espanta toda esta conversa da «Nova Direita». Há a necessidade de enterrar de uma vez por todas os fantasmas da «Velha Direita», seja ela qual for.
O PSD é hoje o partido com mais condições para governar o País. É a verdade simples. O CDS é um pequeno partido de direita, algo folclórico e centrado em Paulo Portas. O PS é uma confusão ideológica. Ainda acredita em ideologias, só não sabe bem quais. O PCP morreu e ainda ninguém os avisou (resta-nos um Carvalho da Silva de megafone na mão). O BE é um projecto narcisista dos seus líderes. Um grupo de intelectuais, ideologicamente muito coloridos, que decidiu reunir-se para se fazer ouvir.
Num primeiro momento, e para não ferir o seu orgulho académido, diziam-se um partido de contra-poder. Afastavam qualquer hipótese de ser governo. O que lhes deu muita margem de manobra, disparando barbaridades atrás de barbaridades. Ainda me lembro quando se dizia que ninguém lhes ligava. Alguma direita até lhes achava graça.
Só que agora perceberam que vão ser governo. Há uma janela que se abre com a inevitável coligação com o cansado PS. Tu dás-me os votos, eu dou-te a oratória eleitoral. Por isso o discurso mudou. Afinal Louçã não é o contra-poder. Quer o poder, a qualquer custo. Não há um único projecto para o País daqueles senhores. O BE é sinónimo de direitos dos homossexuais, salas de chuto e descriminalização do aborto. Muito pouco para quem quer ser governo.
Por isso o terrorismo informativo começou. Conhecendo bem os complexos do povo, lançam-se as primeiras farpas: o CDS é extrema-direita. Começou o jogo do empurrão ideológico. As eleições ganham-se ao centro. O PS de Ferro encostou-se à esquerda, o que permitiu ao PSD conquistar simultaneamente o centro e o poder. Grande erro. Agora há que remediar a asneira. Toca de colocar o PSD lá na Direita, para o PS sentar o cuzinho no centro. Mas para isso temos de arrumar o CDS lá na ponta. Não fica bem ao maior partido da oposição preocupar-se com 8% dos votos. Por isso os amigos do BE encarregam-se disso, exigindo um ministério ou dois.
Isto tudo só é possível, ironicamente, devido à morte lenta do PCP, a quem já ninguém liga.
Não tenho hoje em dia muitas afinidades com o CDS/PP. Já as tive, no tempo do excelente parlamentar que era Paulo Portas. Não sou militante de nenhuma casa. Irrita-me a demagogia do pequeno partido. Mas não posso deixar passar em claro estas declarações estúpidas. João Teixeira Lopes fez figura de urso.
Desculpem-me o desabafo político. Voltemos a coisas mais interessantes.
O Teatro por exemplo. LAC
 

não é o c%&/%)#=%?#!

Se o RAP não é O Meu Pipi ontem esforçou-se por dar essa ideia, na entrevista à Rita. Mas de certeza que não é. ZDQ, que na semana passada afirmou que criou um blogue para ter um programa de televisão e dominar o mundo, disse, com todas as letras, «sei que o Ricardo não é O Meu Pipi». Perante isto nada a dizer. LAC

quinta-feira, dezembro 04, 2003

 

sítios virtuais

João, lembras-te da nossa conversa sobre os sites de arquitectos? Repara como se dá muita importância a esse meio de divulgação/ promoção. Eis o site de Jean Nouvel, um regalo para os olhos. LAC

quarta-feira, dezembro 03, 2003

 

do que é que tu estás à espera?

Descobri através do Bloguítica que por sua vez descobrio através do Janela Para o Rio que por sua vez leu no Expresso-online esta história narrada pelo Nicolau Santos:

«Um cidadão português, que sempre desejou ter uma casa com vista para o Tejo, descobriu finalmente umas águas-furtadas algures numa das colinas de Lisboa que cumpria essa condição. No entanto, uma das assoalhadas não tinha janela. Falou então com um arquitecto amigo para que ele fizesse o projecto e o entregasse à câmara de Lisboa, para obter a respectiva autorização para a obra. O amigo dissuadiu-o logo: que demoraria bastantes meses ou mesmo anos a obter uma resposta e que, no final, ela seria negativa. No entanto, acrescentou, ele resolveria o problema. Assim, numa sexta-feira ao fim da tarde, uma equipa de pedreiros entrou na referida casa, abriu a janela, colocou os vidros e pintou a fachada. O arquitecto tirou então fotos do exterior, onde se via a nova janela e endereçou um pedido à CML, solicitando que fosse permitido ao proprietário fechar a dita cuja janela. Passado alguns meses, a resposta chegou e era avassaladora: invocando um extenso número de artigos dos mais diversos códigos, os serviços da câmara davam um rotundo não à pretensão do proprietário de fechar a dita cuja janela. E assim, o dono da casa não só ganhou uma janela nova, como ficou com toda a argumentação jurídica para rebater alguém que, algum dia, se atreva a vir dizer-lhe que tem de fechar a janela!»

Pegando nas palavras de Jorge Palma (nunca pensei dizer isto um dia), ai Portugal, Portugal...

Aproveito para adicionar os referidos blogues à lista de links. Já os lia com alguma regularidade. LAC
 

porque siza é comunista

A propósito das torres e do siza leia-se o post do Tiago Machado Matos no blog sem nome. Curiosa análise baseada no posicionamento ideológico de Álvaro Siza. Só me apetece acrescentar isto: como qualquer comunista Siza é uma contradição com pernas, uma pessoa profundamente equivocada. Não consegue, porque não pode, fazer corresponder a sua vida à sua ideologia. E já está é velho demais para perceber isso.
Não deixa de ser contudo um excelente arquitecto. A arquitectura, quando é boa, supera qualquer ideologia de algibeira. LAC
 

Deixem-me sonhar! (sobre as torres)

Uma coisa está já provada: o Siza não é um deus. As enúmeras vozes que se têm ouvido levantam-se em nome da grega democracia bradando aos céus contra o uso do nome sonante para fazer passar uma ideia de si aberrante. O projecto não passará, com Siza ou sem Siza. Ainda bem. É sinal que realmente vivemos numa sociedade aberta. Não é preciso relembrar constantemente o 25 de Novembro, perdão, de Abril, para sabermos isso.
Há um argumento que ainda não vi esgrimido. Eu dou uma ajuda. Fala-se do interesse do grupo económico. Então e o interesse do velho Álvaro? Já repararam que ao seu currículo só falta(m) uma(s) torre(s)? Uma torre que prove que o mestre domina essa escala. Souto de Moura dominou o estádio, calando vozes que o acusavam de ser um arquitecto de doméstica proporção. Siza calará outras, dominando as alturas. Esta ideia não passa de uma tentativa do velho ancião para dourar o seu percurso, pontuando-o com a conquista dos céus, próprio dos deuses.
Mas deixemo-nos de teorias da conspiração.

1. Antes de mais o post que escrevi «Que se lixe Alfama! Construam as torres do Siza» era sobretudo uma provocação. Ironia e provocação. Não pensem os meus amigos do GANG que têm o monopólio sobre essa matéria. Mas não deixo de ser um adepto da construção em altura. E acho que nesta ideia de Alcântara a coisa enquadra-se.
Vamos por partes.

2. Não questiono opiniões técnicas. Se me dizem que as torres obstruem ostensivamente uma linha de escoamento vital para a cidade, só se fosse louco é que continuaria a suportar esta demente ideia. Mas para isso há técnicos louvavelmente qualificados. É ouvir e calar. Não conhecendo o projecto, só conheço como todos a imagem da maquete, duvido que seja esse o caso. Há uma irresponsabilidade mafiosa por trás dessa suposição que não me agrada.

3. Quanto à legalidade estou-me realmente nas tintas. Está aqui em cima da mesa mais uma ideia, um conceito, do que um projecto. E as ideias não se conformam pelas leis. O PDM? Também não é um deus. Dizer que a discussão é absurda pois tratam-se de edifícios de 30 pisos quando o PDM só permite 8 não vale nada. O PDM está a ser revisto. O PDM vai ser re-revisto no futuro. É a vida. A bem das conquistas de Novembro, perdão, Abril, tragam-se para a praça pública todas as ideias. Depois logo se vê.

4. Estou de acordo que Sousa Tavares se encontra preso a uma imagem emotiva, das taínhas e dos velhos. Não sei contudo a que cenário isso diz respeito. Sousa Tavares fala-nos de Belém. Parece-me que as torres não são bem aí. Parece-me, pois não conheço o projecto, só a foto publicada. Mas jurava que aquela coisa grande era a ponte 25 de Novembro, perdão, Abril. Gostava que me dissessem o que há ali a preservar na junto ao rio. Querem convencer-me que os barracões são já parte do património da imagem da cidade?

5. O sistema de vistas. Uma torre barra a vista do rio. Rouba autisticamente o cenário romântico. Ao ouvir isto só me lembro do comentário do senhor Pacheco de Melo, dono da casa Prémio Secil 2003. Dizia-me, quando questionado sobre a estranha opção de virar a sala para o interior do lote, em vez do maravilhoso Oceano Atlântico que banha a gloriosa ilha de S. Miguel, que de mar estavam eles fartos. Tinham-no a toda a hora. Não era uma questão central. Ainda assim sou muito sensível a este ponto. A «vista de rio» é uma mais-valia imobiliária fundamental. Por isso Sousa Tavares só admite construção em altura em pontos altos, criando assim uma espécie de anfi-teatro virado a sul, com as suas bancadas descendo em direcção ao rio. Não preciso de fazer um desenho para provar que aquelas torres não tiram a vista de rio senão a meia dúzia de pessoas. Se isto não for pacífico eu explicarei melhor.

6. Lembro-me de um fantástico editorial (como sempre) da Architectural Review, assinado por Catherine Slessor. Tinha por tema «Empreendimentos públicos». Antes, dizia, o povo tinha orgulho na sua cidade, nos seus marcos, nas suas conquistas. Sentia-se na legitimidade de obrigar o estado a gastar bem, construindo grandes equipamentos e projectos dinamizadores desse mecanismo de orgulho colectivo. As torres do siza não são projecto público. Mas deveriam ser objecto de orgulho bairrista de uma cidade. Pensemos na alternativa. O que se propõe, em termos de área total construída, equivale a 12 ou 13 edifícios de 8 pisos. Bonita visão esta.

7. Reconheço que se as torres não fossem do Siza estaria preocupado. Mas sinto-me com legitimidade para reclamar para mim essa preocupação. O simples conceito de construção em altura, numa cidade em que isso não é a regra, conota essa tipologia com um carácter de excepção, de ribalta. Democraticamente espero que se entregue essa responsabilidade a profissionais reconhecidos. Não quero nenhum Blody Chinese a construir aquilo.

Por isto e muito mais gostava, numa perspectiva romântica, de ver as torres construídas. Sonho com uma integração harmoniosa e valorizadora de construção em altura em Lisboa. Sonho com uma Lisboa «moderna». Sonho com a projecção de outrora restabelecida. Sonho com Lisboa. Sonho sobre Lisboa. LAC


 

Um passeio no Chiado ao domingo

Há certas coisas que não vale a pena combater. Pelo que nos é dado a ver ficamos tentados a desistir. Seria de esperar que o Chiado conseguisse atrair gente num domingo em tempo de consumismo natalício. Pensamos nós, os mais ingénuos, sempre é preferível fazer as “compras” na Bertrand da Garrett, escolhendo um livro para oferecer, do que nos centros comerciais. É claro que este raciocínio já é falacioso. Implica pensarmos que as pessoas oferecem livros. Ainda assim o cenário de desertificação é assustador. Nas ruas da Baixa, passendo da rua Áurea até à irmã Augusta, a cena não melhora. Dois ou três turistas que ouvem uma bem intencionada acção “cultural”, Jazz na rua, dancing cheek to cheek. Um velho que vagueia, conformado, sem se dar ao trabalho de pensamentos saudosistas. Um grupo daqueles índios que tocam pífaro. E nós, onde nos metemos todos? Nos locais de “consumo”, claro. Entrando nos armazéns damos logo de caras com um grupo de jovens “agelizados”. Agelizado é uma expressão que acabei de inventar. Pareceu-me boa. Aplica-se “àqueles que usam gel no cabelo com o intuito de o espetar”. Mas falava eu destes jovens, quando muito mais havia para dizer. Um desígnio familiar parece, este frequentar comercial, porta-te bem ruben senão não te levo ao shopping.
Se não os podes vencer junta-te a eles. Não nego que é isto que me vem à cabeça. Mas uma parte de mim ainda diz que é possível vencê-los, que uma outra cidade está ao nosso alcance.
Estas linhas lidas agora parecem-se desconexas e desorganizadas. Confesso que me falta paciência para estruturar as minhas desilusões. LAC

terça-feira, dezembro 02, 2003

 

Recomenda-se vivamente

Hoje é dia de postagem compulsiva. Não podia deixar de recomendar vivamente a discussão n'O Complot sobre a questão do aborto. Como estas palavras fazem sentido para mim: «Entretanto, aos ateus e agnósticos, proponho que substituam, nas vossas leituras, as encíclicas papais e demais documentos oficiais pela verdadeira matéria-prima - os textos bíblicos.» LAC
 

"to do" list

Lembrar: colocar aqui o post sobre o chiado; responder ao André sobre o assunto das torres (que conheceu mais uma contribuição no Salmoura). LAC
 

As listas de links

De tempos a tempos falo sobre a blogosfera. Não porque me apeteça, mas porque tenho algo a dizer.
Não gosto de ver blogues com listas de links infindáveis. Um lista de links é uma declaração de interesse no meu ponto de vista. A lista que aqui está à esquerda representa os blogues que visito (a lista é mantida por mim) regularmente. Quando assim entendo há actualizações. Seja de um novo blogue que pelo tema, autor, estilo, ou que for, ou seja de blogues que já conhecia e aprendi a gostar.
Não caio na tentação fácil de linkar todos os blogues que nos linkam. É uma questão de respeito. Claro que a lista é sempre incompleta, está sempre aberta.
Não percebo listas intermináveis. Para que servem? Para atrair os autores dos respectivos, coça-me as costas que eu coço as tuas? Para quê? Será isto leal?
Dou o exemplo do Aviz. Francisco, você lê isso tudo? E nós, estamos aí porquê? Percebo a sua posição. De um certo modo o FJV é uma espécie de observador atento do fenómeno, uma referência para muitos. Agrada-me a ideia de ver no Aviz um ancião (pelo estatuto, não pela idade!) sensato que é respeitado. Por isso talvez entenda a responsabilidade que sente de orientar um possível leitor para uma «blogosfera crítica», escolhida pelo Aviz. De outro modo as listas de links gratuitas tornam-se obsoletas, desleais. LAC
 

puta que os pariu

Que boa merda me saiu este blogger.com... Migração à vista, é só o que vos digo, migração à vista...

actualização: A Memória Inventada reinventou-se. As pessoas sensatas tomam atitudes sensatas. LAC
 

citação

«O campo é aquele sítio onde paramos para mijar entre duas cidades.» M. V.
LAC

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