O PROJECTO

Contribuições, insultos, projectos de execução, mas principalmente donativos chorudos para:

blog_oprojecto@hotmail.com (com minúsculas)

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

 

Georgia

Como homenagem ao Pedro Lomba decidi mudar o tipo de letra. Era suposto ser temporário. Gostei. Em princípio vai manter-se. Dá um ar mais credível. LAC
 

já vai, só um bocadinho


LAC
 

mailbox

O Projecto feito pelos seus leitores:

«(...)Retrocedo novamente à questão que me foi colocada numa das nossas mais paradigmáticas Câmaras Municipais: Arquitecto de “A” maísculo...? what is this gentlemen?

Será que não existe um mínimo de orgulho nos nossos caríssimos Arquitectos Portugueses para que se levante tal questão e a resposta seja um silêncio apaziguado entre uma calma impositiva e um terror da palavra que não se diz?

Morre-se por dentro, morre-se de vergonha pelo que se faz? Será esta a via primordial para a nossa “classe” (lol...palavra tão ridícula quando a própria ordem dos arquitectos nada faz para alterar esta ideia).

E por favor,... alguém viu o resultado dos Prémios Secil UNIVERSIDADES e o comentário da nossa caríssima bastonária?

Tenham vergonha.... ganham apenas trabalhos de faculdades privadas... trabalhos que não lembram a ninguém. De todos, um chamava-se boa arquitectura. Se alguém leu o regulamento, os trabalhos eram sujeitos a desclassificação caso estivessem identificados com o nome dos concorrentes e nome da faculdade. Convido-os também a verem os painéis dos vencedores, que não somente iam bem identificados com os autores, bem como, alguns tinham o logo da faculdade para lá escarrapachado. Um dos elementos do júri foi confrontado com esta situação e a resposta foi clara: “...não sei qual a indignação, não poderiamos desclassificar ninguém, com um regulamento que para mim não era claro.”

Come on guys... wake up...

Já nem falo na nossa bastonária que se exprimiu com o seguinte discurso: “Os meus parabéns aos vencedores. Arquitectura hoje é a resolução de problemas específicos, mais do que construção em massa. Ponham os olhos nestes trabalhos, pois é isto o futuro da nossa arquitectura.”

Realmente, se continuamos a dar crédito a lobbies altamente comprados não tenho dúvidas que o FUTURO DA ARQUITECTURA seja mesmo aquele fracasso. Mas será um FRACASSO, e nunca o que considero BOA ARQUITECTURA com um olhar crítico, consolidado, equilibrado e poderoso de alguma coisa que se venha a conceber.(...)»

(Redspot)

quarta-feira, fevereiro 25, 2004

 

Ta-vei-ra-da

Já que o seu blogue anda debilitado, resta lê-lo no DN:

«O arquitecto Tomás Taveira diz-se ostracizado. Taveira exagera. O colorido artista conseguiu o que só autores como Kafka tinham logrado: dar o seu nome a uma categoria. É comum ouvir as massas referirem-se a «taveiradas». E, por vezes, nem sequer estão a discutir arquitectura.»


 

A Pior Casa do Mundo

Ainda lembrando o confronto Moderno vs. Pós-Moderno na arquitectura, devo confessar que uma das razões que me levam a afectivamente escolher a segunda condição é a Casa Farnsworth.
Concordo ainda assim que os elementos abstractos são a ferramenta principal da arquitectura contemporânea. A expressão cultural se quisermos do nosso tempo traduz-se numa arquitectura não figurativa, que busca o seu próprio significado. Esta é a minha maior distância em relação ao Venturi do «Complexidade e Contradição», e a minha maior surpresa por este ser discípulo de Kahn. Tento perceber esse facto lembrando a conjuntura Pop dos anos 60 e, de um modo paternal, tudo perdoo.
Leio que que a razão pela qual a Casa Farnsworth fracassou prende-se com o facto de o seu autor, Mies, ter reclamado para si a liberdade do artista: O que se põe em causa com esta obra, diz respeito ao uso e ao facto de a vontade do cliente ser preterida a favor da vontade do arquitecto. Mies sujeita o conforto da casa e a vontade da sua cliente ao desenho da sua obra de arte. (1)
O que se põe em causa com esta obra é a total desadequação entre o que foi solicitado e o que foi construído. Trata-se de um desrespeito pelo programa, uma abstracção do fenómeno de habitar que transforma uma casa noutra coisa qualquer. Não é uma casa obra de arte, é uma não-casa, que é algo completamente diferente.
O arquitecto desenha sempre para si mesmo, ou seja (e para evitar desde já más interpretações), deve sempre colocar-se no papel de cliente. Neste caso impõe perguntar-se de Mies seria capaz de habitar a Casa Farnsworth de um modo inocente. Seria capaz Mies de tornar a Casa Farnsworth na sua casa? A resposta, parece-me, é não.
Sendo Mies uma referência incontornável no Movimento Moderno e sendo a Casa Farnsworth um ícone por excelência, assola-nos (creio não ser o único) uma inquietação sobre (alguns d)os propósitos modernos. Talvez seja apenas um exemplo de radicalidade. Ou talvez não.
Para tentar perceber melhor esta relutância que alguns mantêm sobre a questão de ser ou não a arquitectura uma arte, continuo a ler e deparo-me com Loos: A casa tem de agradar a todos, contrariamente à obra de arte, que não o tem de fazer. A obra de arte é um assunto privado do artista. A casa não é. (...) A obra de arte não é solidária com ninguém; a casa é solidária com todos.(2) E continua com o mesmo tom.
Nota-se aqui mais uma vez uma radicalidade nos conceitos que me deixa inquieto. Não consigo analisar a Casa Farnsworth reduzindo a sua condição a obra de arte, até porque não lhe reconheço maior valor artístico do que muitas outras casas que não deixam de ser casas, e como tal agradam ao seu cliente e habitante, pois cumprem a primeira função da arquitectura, isto é, proporcionar-nos abrigo (3), (vejo a Casa Vanna Venturi umas páginas à frente...)
Isto levava a uma discussão sobre a arte como incomodidade. Mas interessa-me continuar a observar a obra de Mies...
Nunca foi habitada, nunca o poderia ser. Pelo menos inocentemente, sem segundas intenções que justificariam todas as contrariedades. A Casa Farnsworth é outra coisa qualquer mascarada de casa. E aqui reside todo o paradoxo. Quere-se analisar o fenómeno arquitectónico da Casa Farnsworth partindo do princípio que é uma casa, distorcendo todas as análises. Pelas simples razão, só por si justificativa deste argumento, que uma casa pressupõe habitação.
Podemos ver na Casa Farnsworth sugestões construtivas, manifestações formais, intenções espaciais, toda uma série de acontecimentos que nos ficam na memória. Quem sabe não os utilizaremos um dia mais tarde. Mas querer ver nisso uma casa é abusivo. E por isso tentar compreender o seu insucesso alegando uma liberdade excessiva do arquitecto, que se mostrou totalmente intolerante na relação com o cliente, é falacioso.
Não acho, ao contrário de Loos, que tudo o (..) que cumpre uma função deve ser excluído do domínio da arte (4). Não acho que um desejo de produzir uma obra de arte seja incompatível com o desenho de uma habitação. Não acho que a Casa Farnsworth falhe por ser uma obra de arte.
Nem discuto a sua forma, o seu conceito, o seu espaço. Não questiono a sua implantação, a sua escala, a sua proporção, ou o seu desenho. Questiono, isso sim, a sua rejeição em ser habitada. O seu pudor em relação à apropriação humana. A sua distância, o seu tacto, a sua materialidade. Questiono a sua pretenção de ser apenas conceito. Rejeito a sua pureza como rejeito a pureza humana.
E ponho Mies em causa. E fazendo isso ponho o Movimento Moderno em causa. Pela desumanização. Leio (o suspeito) Charles Jenks: Mies, por exemplo, constroi edifícios maravilhosos só porque ignora muitos aspectos de um edifício. Se resolvesse mais problemas, os seus edifícios seriam de longe menos potentes. (5)
A Casa Farnsworth não é uma casa. Quem a tentar habitar perceberá que se trata da pior casa do mundo. LAC

(1) (2) (3) (4) Um Retiro Demasiado Perfeito, Clara Germana Gonçalves, JA nº203
(5) idem, citando Jenks


domingo, fevereiro 22, 2004

 

A arte do possível

Portugal tem destas coisas, uma pequenez saudável. Li o texto que o João agora (re)publica no hARDbLOG há poucos dias, no JA. Estou desde esse dia para enviar um mail ao João para lhe dar os parabéns, modestos como não poderiam deixar de ser, por esse texto. É um dos melhores retratos do que é ser arquitecto hoje, ou "jovem arquitecto", que tenho lido. Sem pretensões, claro, com a noção (que também apoio) que «somos apenas mais uma profissão». Por acaso recebo agora essas palavras como resposta a uma provocação que lancei, invoncando o slogan polémico de Pancho Guedes. Portugal tem destas coisas. LAC

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

 

Francamente

Anda por aí espalhada nas estações do Metropolitano de Lisboa um cartaz publicitário da Cabo Verde Airlines. Porquê falar nisto? Ora bem, acontece que a mensagem é de franco mau gosto. Passo a descrever. A fotografia apresenta dois jovens com muito bom aspecto, ele e ela muito bonitos a correr na praia. Ela é uma mulata escultural (passa muito bem por Cabo-Verdiana), ele é alto, loiro de olhos azuis (não passa por Cabo-Verdiano). Não sei se me expliquei. LAC
 

shoot first, ask questions latter

O João responde a esta casa citando Kahn. Mas a resposta é devida a Pancho Guedes, não a mim. Não são só estes rapazes que se divertem a provocar consciências. Já deviam ter percebido que por estas bandas não há certezas, só dúvidas mascaradas de convicções. Porque só se aprende discutindo, expondo argumentos. E não duvido que vou aprender com o que o João debitar. Perversamente uso o blogue de um modo egoísta. Gosto, contudo, de contribuir modestamente para a divulgação da arquitectura e do papel do arquitecto na sociedade. Este assunto é da maior urgência. Por um lado advogamos a arquitectura como arte; por outro sabemos que ao arquitecto não são permitidas as veleidades do artista. É por estas e por outras que (e citando Wigley mais uma vez) os arquitectos falam, falam, falam... LAC

quinta-feira, fevereiro 19, 2004

 

lombada

«Este blog é vosso.»
Dito e feito. Save as: Flor de Obsessão. Transfer complete. LAC
 

Bate leve, levemente

Picasso dizia algo sobre arte. Olhar e apreciar, não olhar e analisar. Carrilho da Graça chateava-se com quem lhe fazia perguntas. Não tenho de explicar, já não faltava ter de fazer o projecto, agora também tenho de fazer o papel dos críticos? Manuel Vicente dizia que nós por cá fazemos primeiro e pensamos depois. Só se alguém chatear muito é que explicamos. Ninguém me tira da cabeça que o Foster faz o que faz porque gosta. Ele lá pode dar muitas explicações, mas podia muito bem ser ao contrário que ele explicava na mesma.
E pronto. Arte é arte porque escapa. Como diz Mark Wigley (e este é já o post com mais citações por palavra de história deste blogue) «a arquitectura escapa-nos mais uma vez e nós adoramos que ela continue a escapar-nos.» LAC

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

 

A cidade dos silos

Projectos já apresentados por alturas da Experimenta Design, os silos automóveis propostos para Lisboa são um dado novo no meio urbano. Há muito que se vem discutindo a mobilidade dentro da cidade e principais problemas. Não parece ser apenas uma questão de circulação como também de acomodação de veículos. Como aliás demonstra a elaboração das propostas para os silos. Parece no entanto pertinente colocar em causa a construção dos mesmos. Por um lado o conceito de silo automóvel é um dado relativamente novo no panorama da cidade portuguesa. O mesmo não acontece noutras cidades e noutro "tipo" de cidades (sobretudo o modelo norte americano). Não é portanto de estranhar que a possível existência de futuros silos seja acolhida com algum entusiasmo, como que a dizer que Lisboa está definitivamente ao nível das maiores cidades europeias. Se isto fosse noutro contexto acredito no motivo de orgulho. No entanto não são os Silos automóveis uma última tentativa de remediar o irremediável? Parecem querer dizer que a situação chegou a tal ponto que não há outra solução para a cidade senão esta. Apesar de tudo um silo não deixa de ser um silo, um objecto algo mudo para com a cidade. Prateleiras para carros. Apesar de as propostas merecerem destaque, porque tentam alargar as fronteiras conceptuais para cada caso, não deixa de ser sombrio o futuro. AD
 

Milagre

Numa altura em que foi anunciado oficialmente que o túnel do Metro para a Praça do Comércio terá fim ainda este ano, é melhor darmos vivas ao fim do malogrado projecto. Não de muita confiança foram os comentários do representante do LNEC (presidente?) que lá terá dito : "(...) portanto acreditamos que o local oferece as condições de segurança necessárias." Milagre não é a obra terminar, é sim passar naquela estação sem sentir qualquer espécie de calafrio. AD
 

Dá-lhes Pancho!


LAC

terça-feira, fevereiro 17, 2004

 

Acaba o Flor de Obsessão.

Dia de luto. LAC

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

 

«O Estigma da Altura É Uma Atitude Retrógrada»

José Romano assina hoje um esclarecido artigo sobre a polémica das torres:

«(...) Os promotores imobiliários destes projectos sabem de antemão que os terrenos de que são titulares não encontram nos instrumentos de planeamento em vigor, nomeadamente o PDM, legitimação automática para a altura de construção que propõem. Sendo assim porque é que se dão ao trabalho de encomendar os projectos e propor cérceas que sabem à partida estarem inibidas? Porque em Lisboa como em Nova Iorque ou Xangai, os promotores querem construir a solução que lhes assegure maior visibilidade e consequentemente maior retorno. É natural e legítimo que assim seja, mas às autoridades de gestão urbana, nomeadamente à Câmara de Lisboa, compete a salvaguarda de um conjunto de valores e políticas urbanas que garantam a qualidade de vida de toda a cidade.
(...)
Qualquer outra solução, que legitime a construção de edifícios altos, de forma arbitrária e à margem do PDM, labora em três erros grosseiros: Lança no mercado a ideia perniciosa de que as regras não são para cumprir; a arbitrariedade que dai resultaria induz a práticas de tráfico de influências quando não de corrupção e os lugares em causa, nomeadamente a sua envolvente mais próxima, ficam prejudicados pela falta de infra-estruturas.
(...)
Ao longo da investigação que fiz sobre o tema dos edifícios em altura, identifiquei um conjunto de variáveis que se verificam na maioria dos territórios onde se constroem edifícios altos: explosão demográfica, altíssimo valor do solo, limites naturais ao crescimento na horizontal da cidade - como montanhas ou rios - experiência construtiva e mão-de-obra qualificada, baixo custo do aço e risco sísmico pouco significativo. Em Lisboa não se verifica nenhuma destas condições. A população está a decrescer, o valor do terreno não é, apesar de tudo, proibitivo, a cidade ainda não tem uma pegada muito grande, o aço é substancialmente mais caro do que o betão, a nossa mão-de-obra é genéricamente pouco qualificada e o risco sísmico é muito alto.
(...)
Dito isto podemos perguntar se não haverá, ainda assim, lugar à construção de edifícios altos em Lisboa? Na minha opinião há. Desde que salvaguardada a natureza dos lugares. Os edifícios altos têm, entre outros, o papel muito importante de assinalar pontos de interesse na cidade. São marcos ou ícones que assinalam praças, entradas na cidade, eixos viários, grandes avenidas ou outros pontos de interesse. São, nos casos dos edifícios mais modernos e nomeadamente de Foster, mais eficientes do ponto de vista energético e ambiental, permitindo altos níveis de conforto com baixos níveis de consumo de energia e emissão de poluentes. São além de tudo isso magníficos pontos de observação da cidade, permitindo normalmente a construção de miradouros muito populares entre os locais e os turistas. São, por fim, demonstrações claras de capacidade tecnológica e de modernidade.
(...)
O estigma apriorístico da altura é uma atitude retrógrada, conservadora e sem lugar no mundo contemporâneo. Como dizia Pancho Guedes, "Eu reclamo para os arquitectos os direitos e liberdades que os poetas e pintores gozam há tanto tempo". »
LAC

 

José Forjaz

Tinha escrito um longo texto sobre este assunto. Mas bastam-me estas linhas.
Fiquei muito incomodado ao ler a reportagem sobre José Forjaz no Expresso. Quem é este homem que por cá ninguém conhece? Esta parvónia branca e lisa pode dar-se ao luxo de esquecer este homem (como o faz com outros)?
Inquietam-me as referências que me reportam a Manuel Vicente. A quadricula, a expressão, a cor, o ar oriental do edifício de esquina... Onde estará o elo? Moçambique e Pensilvânia, dois sítios comuns...
Caro José, se estiver a ler isto avise. Venha cá falar connosco, ensinar-nos. Portugal precisa de si. LAC
 

NU #16

A revista NU avisa-nos da apresentação do #16 (Oriente):

terça-feira | 17 de Fevereiro | 18H00 | Café do Teatro Académico Gil Vicente | Coimbra

O tema e artigos do 16º número da revista NU serão motivo de conversa e de debate numa mesa redonda com os arquitectos Pedro Machado Costa, Vasco Pinto, Walter Rossa, o director da revista NU, Bruno Gil e a editora da NU#16_Oriente, Carina Silva.

 

A casa na poesia do arquitecto

A Libeskindiana

Era uma vez uma casa
feita de tristeza e dor
tão cheia delas estava
que não havia mais nada para expôr

A eisenmaniana

Era uma vez uma casa
por vectores desenhada
sorte do arquitecto
cabia lá uma pessoa mirrada

A koolhérica

Era uma vez uma coisa
na metrópole arrogante
com furos enviesados
e vazios bem pensados


A gehryana

Era uma vez uma lata
de titânio construída
não sabia o arquitecto
que forma era a escolhida

AD
 

Na Av. Fontes Pereira de Melo

......está um daqueles edifícios em recuperação/obras/Lisboa mais bonita. Coisa que não é nova, os andaimes que estão por fora são revestidos por uma tela com a futura imagem do edifício. Desenhado em autocad e colorido no paint (digo eu!). Agora, será que vale a pena recuperar o edifício? Mais valia investirem no desenvolvimente de telas para fachada. Depois era só mudar de dois em dois anos. Digo eu! AD

sexta-feira, fevereiro 13, 2004

 

Em trânsito

A experiência repete-se. Hoje foi mais um desses dias. Sexta-feira, passo por um terminal de transportes. Pessoas que correm de um lado para o outro, com sacos e malas às costas. Pessoas que chegam e falam outra língua. Todos parecem estar naquele sítio maravilhoso que não existe: a transição. Os que chegam porque não conhecem. Os que partem porque estão ansiosos por partir e já sonham com o destino. É mais um sinal da depressão. Só queremos sair daqui para fora. Ir para outro lugar. Nem que seja só por um fim-de-semana. Gosto das sextas-feiras. Mas porque vejo os outros a gostar ainda mais. LAC

quinta-feira, fevereiro 12, 2004

 

numa espiral criativa?

Quando Clara Ferreira Alves ainda utilizava o humor como arma principal (saudade... saudade...) da Pluma, escreveu sobre a abertura da loja chamada «El Corte Inglés». Chamou à rampa do estacionamento «espiral ao centro da terra». Nunca mais me esqueci. Hoje, EPC tenta dizer o mesmo, com alguns meses (ou anos?) de atraso, substituindo a expressão «espiral» por «helicoidal», e com muito menos graça. LAC
 

Os Outros (1)11

O Público completou do Domingo a publicação dedicada aos «Arquitectos Portugueses Contemporâneos». Textos de Ana Vaz Milheiro, Jorge Figueira e Ricardo Carvalho. Foram 11, tudo bem. A escolha seria sempre limitada e injusta. Os 11 Magníficos foram (não necessariamente por esta ordem):

1. Fernando Távora
2. Manuel Taínha
3. Souto Moura
4. Gonçalo Byrne
5. Carrilho da Graça
6. Graça Dias e Egas José Vieira
7. Vítor Figueiredo
8. Paulo Gouveia
9. Belém Lima
10. Teotónio Pereira
11. Siza

Resumindo, o star-system nacional, mais Paulo Gouveia e Belém Lima. Mas esta lista não poderia ter terminado aqui. Quem poderiam ser os «Outros 11»?

1. Manuel Vicente
2. Raúl Hestenes Ferreira
3. José Daniel Santa-Rita (e João Santa-Rita)
4. ARX Portugal
5. Manuel (e Francisco) Aires Mateus
6. Alcino Soutinho
7. Tomás Taveira
8. Ruy Athouguia
9. José Lamas
10. Pancho Guedes
11. ... (a lista fica, obviamente, inacabada)

(perdoem-me, a lista foi elaborada no momento, em cima do joelho. Aceitam-se sugestões.) LAC
 

Stars over Lisbon

Esta tendência de fazer aterrar em Lisboa celebridades da arquitectura não é uma moda. Veio para ficar, tal como aconteceu noutros países, noutras cidades. Não é também apenas um modo subversivo dos promotores fazerem aprovar os seus projectos, apesar de isso parecer evidente nalguns casos.
Então o que é?
É, antes de mais, sinal de uma evolução da cultura arquitectónica em Portugal. Se há 20 anos não se falava em arquitectura, hoje acusa-se o poder de instrumentalizar nomes e figuras. Já sabemos o que faz um arquitecto, já sabemos que é importante a arquitectura (principalmente dos esquipamentos públicos) e já percebemos que os nossos arquitectos muito fazem pelo bom nome de Portugal ‘lá fora’.
São sinais de esperança. Depois da arquitectura virá o urbanismo, a ‘arquitectura das cidades’. Depois de instalada a cultura de exigência no desenho do edifício, virá a cultura de exigência urbana. Começaremo-nos a interessar pelas questões da mobilidade, da rede natural, dos espaços públicos, do sistema de infraestruturas, and so on, and so on.
Porque isto é uma questão de sensibilização das massas. Terá de ser inevitavelmente. E haverá melhor maneira de fazer chegar alguma coisa às massas do que alimentá-las com celebridades? Subversivamente lá vamos andando. Bom mesmo era começar a publicar nas revistas cor-de-rosa entrevistas com arquitectos, reportagens às suas casas, mexericos sobre a sua vida pessoal.
Não tenho dúvidas: no dia em que um arquitecto for convidado do «Portugal no Coração» para falar da sua obra, este país será um sítio melhor.

P.S.: O ideal em Lisboa seria ter um arquitecto como Presidente da Câmara. Não, não é um lóbi dos arquitectos. É uma convicção pessoal. Até já tenho um nome em carteira (não, não faço ideia se é de esquerda ou de direita).

P.S.2: As iniciais de Post scriptum são mesmo manhosas...

quarta-feira, fevereiro 11, 2004

 

O céu sobre a Boavista

O Pedro (mais um) d'O céu sobre Lisboa escreve sobre o aterro da Boavista. Um post longo e interessante, contudo com algumas inexactidões.

1. O caso do Aterro da Boavista é paradigmático e vem nos manuais de urbanismo: uma zona periférica, afecta a um uso industrial, que se torna obsoleta e que com o crescimento da cidade acaba por ficar entalada entre zonas residenciais e/ou de serviços.

O desenvolvimento do aterro da Boavista nunca foi períférico. A actual «malha» viária foi definida quando a cidade há muito já abraçava a área. Teve sim um uso industrial que se tornou obsoleto.

2. Ou seja, ter uma fábrica abandonada na Boavista, ali quietinha, a cair aos bocados, é um "negócio" muito lucrativo e muito mais cómodo que investir em acções ou qualquer outro negócio.

Concordo com este comentário. Queria apenas lembrar que este problema decorre de dois factores: (a) a inexistência de um plano em vigor; e (b) um enquadramento fiscal desadequado. Noutro países é aplicada uma taxa sobre o valor potencial do terreno (com base nos planos e vigor), o que torna o imobilismo insustentável. Em Portugal ainda não se percebeu que o sistema fiscal é um instrumento de planeamento, e não apenas uma fonte de receitas.

3. No Aterro da Boavista, só há uma solução: expropriar toda a zona, elaborar um plano de urbanização e entregar os terrenos a privados para que cumpram o plano (...)

Não é necessário expropriar. A Câmara deve fazer aprovar um plano, e com base nele elaborar um modelo de «perequação compensatória» chegando a acordo com os vários proprietários (DL 380/99). Só em último caso deve expropriar.

4. O que não faz sentido é deixar os promotores do Foster fazerem uma praça e deixar o resto - que é uma área enorme de armazéns e fábricas abandonadas, para quem não conhece - como está, à espera que aos proprietários lhes dê na real gana fazerem mais qualquer coisa.

Como foi revelado ontem, foi pedido pela CML a Foster que desenvolvesse um estudo para toda a área do aterro da Boavista, e não só apenas nos terrenos dos promotores. Foster apresentou esses estudos (nesta imagem pode constatar-se isso mesmo).

5. Já passou uma década desde a publicação do PDM de Lisboa, que prevê a reconversão urbanística do Aterro, e nem sequer há um plano.

O Instituto Superior Técnico desenvolveu um plano de urbanização, coordenado pelo Prof. António Lamas. Foi posto na gaveta, mas o plano existiu (e existe). LAC
 

Obrigado a todos

Hoje atingimos as 20.000 pageviews. A todos os que por aqui passam e nos fazem continuar, muito obrigado. LAC
 

Será que?

Ainda sobre a apresentação de Sir Foster. Antes de acabar a sessão vi Nuno Teotónio Pereira levantar-se e abandonar o local. Achei que era importante dizer isto. LAC

segunda-feira, fevereiro 09, 2004

 

Poderá o artista ser humilde?

O Lutz tem toda a razão no que escreve. Só não percebo esse preconceito entre Direita e Esquerda, acho demasiado simplista assumir que a Esquerda é por natureza mais altruísta.
Mas vale a pena dizer mais alguma coisa sobre o assunto.
A boa arquitectura vai, muitas vezes, contra a lógica da economia de mercado. Mas como bem diz Koolhaas, o arquitecto deve saber mover-se nesse meio, para que sobre ele possa influir. Não vale a pena ignorar este facto. A arquitectura não se faz a subsídio. A sociedade deve identificar claramente o benefício do exercício da arquitectura na sua vida, na sua cidade. Por isso dizia que o arquitecto deve ter a humildade de se identificar como um prestador de serviços. Isto não invalida a criação, o génio, a arte, o gesto. Deve é ter como base o outro lado do negócio, o cliente (e não o mecenas).
Não é por acaso que grandes arquitectos como Siza ou Souto Moura optem por falar sobre os aspectos pragmáticos da sua obra, argumentando com simplicidade, deixando no ar uma sensação de inevitabilidade. Havia problemas a resolver, foram resolvidos (com ou sem mestria, isso é outra questão).
Não se percebe que, por exemplo, numa memória descritiva de uma obra de reabilitação de uma pequena habitação, o texto ande à volta disto, mesmo que seja certíssimo:

«Não se pretendeu sectorizar funções ou espaços, nem conduzir a intervenção a uma vivência estática ou pragmática, mas antes icutir um carácter dinâmico, fluído, recorrendo à utilização de percursos bem definidos, num jogo de interioridade e exterioridade, de tensões e enfiamentos visuais importantes, criando acontecimentos e remates, onde o mar e a envolvente está longe e perto e se torna mais ou menos importante.»

O arquitecto é um animal pouco humilde. O grande desafio que se apresenta é a renovação da imagem do arquitecto na sociedade. E isso passa por uma consciencialização da sua aptidão prática. Alimentada pela vontade do serviço público, sem dúvida, mas com uma humildade de reconhecer o seu papel. O Movimento Moderno (socialista, de esquerda) acabou. As grandes utopias acabaram. Felizmente, pois costumam dar origem a regimes autoritários. O arquitecto não é o salvador do mundo. Como dizia Jordi Borja, «o desenho urbano não resolve tudo». LAC
 

«Here in Madrid»

Estive hoje presente na apresentação do work in progress sobre o aterro da Boavista, a ser desenvolvido por Norman Foster. Apresentação de gala, com meninas-bibelot e tudo, presidente da Câmara (esse mesmo) e da junta, directora da ExperimentaDesign (Guta Moura Guedes, uma mulher lindíssima), malta do IADE e do BES.
Vale a pena recordar o que em Setembro escrevi:

O arquitecto inglês foi escolhido para uma intervenção em Santos, no aterro da Boavista. Lisboa vai ganhar, no cruzamento da av. D. Carlos I com a 24 de Julho, junto ao IADE, um novo espaço de habitação, serviços, comércio e lazer. Os lisboetas podem esperar o quê? Bem, acima de tudo, uma coisa com um boa imagem, limpinha e competente, que sem dúvida irá ganhar a reputação de “moderna”. Será um sítio de eleição? Estaremos à espera de uma obra de arte? Provavelmente não, mas o limpinho já não é mau. De qualquer maneira é motivo de satisfação poder contar com o trabalho do britânico em Lisboa. Estou certo de uma coisa: o grupo Espírito Santo vai dar por bem emprego o seu dinheiro.

Confirma-se. Com a surpresa de uma proposta de torre com 100 metros, menos 5 do que as outras, do Siza.
A apresentação em si foi uma desilusão. Norman Foster falou do óbvio como se de um milagre se tratasse. Apresentou imagens e animações «para Inglês ver» e não conseguiu responder directamente a nenhuma pergunta que foi feita.
Quer isto dizer que não vale a pena o investimento? Nada disso, anseio pela sua construção. Mas muito ficou por explorar, como as passagens por cima da 24 de julho que foram apenas insinuadas...
Muitas referências ao seu trabalho (como uma comparação (?) com Nimes, o Carre d'Art), comparações de escala despropositadas (referência a S. Marcos), uma desadequação entre o discurso (design e espaços culturais) e o desenho (habitação e terciário), foram algumas das peripécias da apresentação.
Ah, e pelo meio ainda deixou escapar a expresão que dá nome ao post, ao dissertar sobre uma imagem da Torre de Belém. Enfim, coisas que a um Pritzker se perdoam... LAC

domingo, fevereiro 08, 2004

 

Contra o sistema, marchar marchar?

Fazia há dias uma referência à pergunta: Why so many left-wing architects? O Lutz deixou o seguinte comentário:

A pergunta devia ser: Why so many good left-wing architects?
E a resposta: Pessoas da direita não acreditam em causas públicas e querem, antes de mais, ganhar dinheiro.


Este tipo de pensamento está claramente instalado. Pelos vistos também na Alemanha. É pena, pensei que fosse apenas nesta periférica nação. Valia a pena desenvolver este tema. Por enquanto mostro só a minha perplexidade com este tipo de argumentação. Pessoas da direita não acreditam em causas públicas. Desculpe? Importa-se de repetir. E pior: e querem, antes de mais, ganhar dinheiro. Esta situação é responsável pela situação de auto-lamentação financeira que assola a arquitectura. O arquitecto é, antes de mais, um prestador de serviços. Enquanto não percebermos isto não saímos da cepa torta. O arquitecto trabalha para ganhar dinheiro. Deixemo-nos de lirismos. A arquitectura não se pratica fora da economia de mercado. A esquerda devia aprender com Koolhaas quando este diz que trabalha no sistema Y€$, não contra ele.
Desta vez sou eu que mostro a minha desilusão. LAC

sexta-feira, fevereiro 06, 2004

 

O Angustiador

Tomás Taveira dá hoje uma entrevista ao Independente (sem link porque a versão on-line é uma vergonha.) Sem mais demoras aqui ficam uns excertos:

«(...)
A ordem não é uma estrutura democrática. Não é uma estrutura onde caibam todos os arquitectos.
(...)
Nem a senhora Olga Quintanilha, nem a Ordem tinham alguma vez levantado a voz para se opor a contratos sem concurso feitos pelos seus amigos.
Quem são esses amigos?
(...) O Chiado teve concurso? O Pavilhão de Portugal teve concurso? O estádio de Braga teve concurso? São três exemplos, mas há enúmeras situações semelhantes.
(...)
O programa Polis, do inefável Mega Ferreira, foi todo entregue sem concurso. Estou a falar de milhões em honorários.
(...)
Gostava de ver nascer em Alcântara as torres de Siza Vieira?
Desde que seja um bom projecto, gostava de ver qualquer coisa feita pelo Siza ou por outro qualquer.
(...)
Pensa que sendo um projecto assinado por Tomás Taveira a polémica teria sido muito maior?
Já tinha sido, no mínimo, obrigado a mudar para Badajoz.
(...)
Jorge Sampaio perseguiu-me de tal maneira, que quando chegou à Câmara, tinha eu em carteira o projecto do Hotel D. Pedro, nas Amoreiras, houve quem escrevesse no jornal que aquilo parecia o bolo de noiva do Pato Donald. Eu nunca vi o Pato Donald com noiva e muito menos o bolo da noiva do Pato Donald.
(...)
Agora fizeram uma exposição durante o congresso dos arquitectos - creio que em Guimarães. Quem é que lá estava? Os "suspeitos do costume" e os amigos dos "suspeitos do costume".
(...)
Mas vai falar daqui a uns meses?
Vou. Não posso é dizer tudo de uma vez. Tenho que os manter angustiados. »
LAC
 

Glosas a Rosas

E ainda há quem questione a importância da blogosfera. Onde mais poderíamos ler este delicioso diálogo? LAC
 

Violência

As palavras, os conceitos, as definições, as denotações, as conotações, são fugidias. Gostamos de jogar com elas, de brincar com o seu som, o seu significado. A palavra violência tem, sem dúvida, um significado muito mais amplo e rico do que o corrente, dos telejornais, das guerras e dos confrontos.
Gostei de ler o texto do Pedro. Concordo e aprendo, à medida que vou descobrindo as palavras que explicam e desmontam os mecanismos espaciais que nos aprisionam... Como é dito e muito bem, ao explorar o conceito de violência na arquitectura, «estamos num campo muito conceptual da arquitectura, teórico, mas nem por isso menos importante.» Não era necessário, embora compreenda, enumerar o rol de personalidades que partilham esta ideia. Pedro, bastam as tuas palavras.
Ainda assim.
Preocupa-me muito a falta de contacto e de referências mútuas entre a arquitectura dos arquitectos e a arquitectura de todos os outros. A comunicação é, cada vez mais, um tema fundamental na arquitectura. Infelizmente, ao arquitecto não são permitidas as veleidades do artista. Embora a teoria da arquitectura seja uma disciplina com uma autonomia considerável. Ao discutirmos (aqui) a violência na arquitectura, é muito importante que se perceba esse «sentido lato», esse significado que não é dicionalizável.
Quando transcrevi o significado de «violento», a entrada do dicionário, o objectivo foi alertar para essa conotação mais imediata. Em prol de uma clarificação que é devida ao leitor não especializado.

P.S.: A arquitectura é, infelizmente, em muitos contextos uma característica. Algo que se considera dispensável na concepção do ambiente urbano. Podemos aceitar a arquitectura como omnipresente, considerando a barraca auto-construída como uma expressão arquitectónica, por exemplo. Eu não vou nisso. A arquitectura, na sua comlexidade e exigência, é algo que escapa a muitas edificações. Transforma-se numa característica, algo que distingue. LAC

quinta-feira, fevereiro 05, 2004

 

Pelas piscinas, pela Casa dos Bicos, pelo discurso, por Macau

O Público vai terminar a série dedicada à divulgação de arquitectos portugueses contemporâneos no próximo domingo, com o fascículo (simbólico) do Siza. Começara (simbolicamente) com Távora. Agradou-me muito esta iniciativa, e desde já fica aqui uma ameaça de análise futura. Mas, e chegada ao fim a publicação, mesmo compreendendo que se deu importância às obras em solo nacional, impõe-se perguntar: onde está Manuel Vicente? LAC
 

Alta como em «Alta»?

O Classe Média decidiu incluir-nos numa lista de links chamada «Alta Sociedade», pondo-nos lado a lado com muita gente que nem me atrevo a dizer o nome. Nem sei o que dizer. Resta-me um sincero obrigado. LAC
 

Boa pergunta

Why so many left-wing architects?
LAC

quarta-feira, fevereiro 04, 2004

 

What Can an Architect Do For You

Cada vez mais é esta a questão que se deve colocar. LAC
 

Violência

O Pedro Jordão prometeu desenvolver a questão da violência na arquitectura. Ainda bem, gosto do Epiderme quando sai do seu domínio mais erudito e expõe mais abertamente a sua opinião. Por isso acrescentava uns pontos sobre a minha discordância, na perpectiva que isso ajude a resposta prometida.
1. Entendo que a violência na arquitectura diz respeito à sua condição de arte, que provoca essa incomodidade já referida. No entanto sei que a arquitectura não deve ser uma característica das construções de excepção, mas sim ser uma actividade apurada que se investe em toda a construção.
2. A violência não nos deixa a opção de ser indiferente. Obriga-nos a reagir. Isso é extraordinário em obras notáveis. Contudo é desgastante e contraditório da condição urbana exigir essa característica a todas as manifestações arquitectónicas.
3. Ocorre-me uma interrogação de outro tipo. Se o habitar é um processo de familiarização do ambiente, então essa violência que nos habita não será uma situação temporária? Não será o habitar um sucessivo domesticar do que nos violenta?
4. Deixo, pelo que vale, a definição de violento. Talvez ajude a mostrar porque tenho dificuldade em aplicar o conceito à arquitectura. LAC


do Lat. violentu

adj.,

que procede com ímpeto;
em que há emprego de força brutal;
veemente;
irascível;
arrebatado;
colérico;
fogoso;
tumultuoso;
intenso;
contrário à justiça ou à razão.


 

Reabilitação

Pedro, a discordância não era «ideológica». Percebo as tuas reservas. Só quero acrescentar uma coisa, esta sim talvez «ideológica». Acredito num Estado mínimo, regulador. No que toca ao planeamento urbano sabemos que esta posição da Administração nem sempre resulta. Por isso, sim, num cenário ideal seria a CML a abraçar essa responsabilidade. Mas como contornar a falta de capital e meios disponíveis? Parece-me que só com a participação privada é que a situação se pode resolver.

P.S.: O que se passa nas outras capitais europeias? Como lidam com o património (sentido lato) degradado? LAC

segunda-feira, fevereiro 02, 2004

 

discordando de Pedro (2)

Estou em desacordo com o que se diz no Planeta Reboque sobre as «dádivas» da CML. O Pedro (muitos Pedros há na blogosfera!) diz: «aos "jovens" é-lhe pedido que paguem projectos, fiscalização, empreitada; que garantam o risco do investimento; que paguem os juros; que assegurem a manutenção...»

Será assim tão extraordinário exigir este investimento? A CML não é a Santa Casa. Parece-me bastante razoável exigir aos interessados que se responsabilizem pela reabilitação. Cada vez mais são necessárias soluções criativas para ajudar a reabilitação do imenso parque habitacional degradado. Esta medida é de louvar, por muito que isso custe a quem a vê partir deste executivo. LAC
 

discordando de Pedro (1)

O Pedro volta a um tema recorrente: «A atracção entre dois corpos, violenta por natureza, também faz o espaço. A violência é essencial também para destroçar a indiferença entre corpo e edifício. O conforto anestesia. Só o espaço que nos fere nos habita.»

Não apoio esta ideia. Já o tinha dito. Talvez me esteja a escapar o conceito de violência, bem como o de habitar. Gostava que o Pedro desenvolvesse a questão. Frank Lloyd Wright não nos habita? É violento? LAC
 

Vitor Figueiredo

Não conheço bem a sua obra. Só visitei o pólo da Herdade da Mitra, mas estava demasiado distraído. Na minha memória fica uma inesquecível conferência, em 2001, onde nos retirou o tapete do chão sem pedir licença. Uma ironia profunda, um desagrado com o estado da arquitectura, muitas afirmações irreproduzíveis, e muito humor. Lá para as 10 da noite (tinha começado por volta das 6) alguém lhe fez sinal que a conferência teria de acabar por ali. Respondeu: «Mas vocês têm pressa? A noite é ainda uma criança...» (ver o texto do m'A).LAC

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