O PROJECTO

Contribuições, insultos, projectos de execução, mas principalmente donativos chorudos para:

blog_oprojecto@hotmail.com (com minúsculas)

quarta-feira, março 31, 2004

 

o mundo é livre...

The star is planning a break from filming blockbusters to learn the secrets of modern design at the Los Angeles studio of Frank Gehry, one of the world's leading architects.

Brad Pitt vai passar um ano em "estágio" com Frank Gehry. O rapaz quer ser arquitecto. Isto anda tudo doido, tudo doido... LAC
 

Panfletos



O homem pode ser um génio, mas este cartaz é simplesmente parvo. Sobre a publicação ("Content") pode ler-se: In its mood and subject matter, Content reflects recent shifts in geo-politics, particularly since 9-11. A provocação pela provocação perde o sentido. Aniquila-se. Bush é apresentado como um de três, ao centro. As armas dos outros são metralhadoras e facas; as suas são o imperialismo da culinária e um símbolo religioso estilizado. Mas no fundo não há diferenças, apenas interpretações. Para um europeu informado a ameaça vem tanto de Saddam de arma em punho, como de Bush de batata frita na testa. Be aware. LAC

terça-feira, março 30, 2004

 

Sereno

Mário de Carvalho ontem, falando com Ana Sousa Dias. Para escrever é preciso um tempo de calma, de quietude, onde as coisas "vão assentando". Alguns chamam-lhe preguiça, mas não é. Um tempo para acalmar o espírito. Palavras que não se dizem. O elogio da pausa? Neste mundo de produção imediata, de acção, para que serve o vazio?
Para escrever é preciso silêncio, porque só assim nos ouvimos. Fazem falta homens destes ao mundo. Que sabem parar. LAC
 

Tv

Não são frequentes os minutos dedicados na televisão à arquitectura. Por isso sintonizai o aparelho na :2, às 16h00:

Seg: Nicolau Nasoni (já foi)
Ter: Raúl Lino (daqui a nada)
Qua: Fernando Távora
Qui: Souto de Moura
Sex: Carrilho da Graça

Ou gravem. Também vale. LAC

sábado, março 27, 2004

 

Humanizar

Sobre o post anterior, sobre as Duas Culturas, sobre Uma Cultura...

A arquitectura representa talvez a disciplina que maior concentra esta tensão (artificial ou não) entre as Duas Culturas. Geralmente é identificada como arte, até como a arte maior. O arquitecto, esse, é invariavelmente um artista, palavra neste contexto frequentemente empregue com uma conotação pejorativa. Esta identificação que é feita do arquitecto surge contudo, na minha opinião, devido ao facto de a arquitectura ser uma actividade eminentemente técnica. Construir um edifício, é sem dúvida algo fortemente relacionado com a tecnologia e a ciência. Envolve profissionais de campos diversos, das diversas especialidades, todas técnicas, sendo que uma delas, a arquitectura, não é puramente técnica. E daqui surge o confronto.
Aquele que insiste em questões artísticas (e humanas) num ambiente técnico corre o risco de se reduzir a apenas isso aos olhos dos outros. Um preconceito que demonstra como está viva a noção das Duas Culturas. Porém, a arquitectura é uma actividade que ambiciona fazer uma síntese, a síntese possível em cada ocasião. De uma inspiração poética nasce um empreendimento desgastante de materialização de uma ideia. É uma tentativa desesperada de provar que as Duas Culturas são apenas uma. É possível coordenar uma equipa das mais variadas técnicas e ciências, do ambiente à ventilação, da estrutura à segurança, da química aos materiais, para produzir algo que seja mais do que a simples soma disso tudo.
Ah, mas o arquitecto é um super-homem? Claro que não, e por isso é muitas vezes reduzido a alguém que apenas arranha as questões, e que deseja condicionar tudo à sua volta a uns quantos caprichos pessoais, que aparentemente só ele entende.
E no fim do dia cai na tentação de sucumbir. LAC
 

Aalto

Lia um texto de Alvar Aalto. Tentava o finlandês definir Arquitectura. Chamava-lhe «a humanização da técnica». Sim, acho que é isso. LAC

quinta-feira, março 25, 2004

 

Entasis

Os gregos introduziam pequenas correcções no desenho de modo a tornar mais natural os seus edifícios. Pequenas correcções, variações perspécticas. Opções que se explicam com um simples desenho e um ponto de fuga. Ora, acontece que o ponto de fuga só foi descoberto uns anitos depois. Lá para o proto-renascimento. Um belo exemplo histórico que sustenta a tese que "primeiro fazemos, depois explicamos". Uma intuição que não se explica. LAC
 

Por muito que tente

não lhe consigo chamar "Corbu". Peço desculpa, mas não consigo. LAC

quarta-feira, março 24, 2004

 

Uma boa notícia

Que vai ocupar sem dúvida um espaço próprio na blogosfera. LAC
 

Os cães ladram e a caravana passa

Hoje um grupo minoritário de estudantes revolta-se pela enésima vez contra um governo "de direita", "autoritário", "fascista", "arrogante". O motivo? O facto de terem de pagar aquilo que apenas eles devem pagar: a sua educação. Apesar de serem apenas uns quantos, a imprensa não hesita em dizer «os estudantes do ensino superior voltam hoje à rua». Pois. "Os estudandes".

Depois da manif vai tudo para o Bairro fazer a antevisão da festa do bloco.LAC

terça-feira, março 23, 2004

 

Ainda bem que não aprendeste as coisas erradas

Zaha Hadid trabalhou com Koolhaas 10 anos, de 1977 a 1987. O que lhe valeu a merecida projecção. E aqui se vê a forte personalidade da senhora. Ora comparemos umas simples palavras:

«People can inhabit anything. And they can be miserable in anything and ecstatic in anything. More and more I think that architecture has nothing to do with it.»

«Quero que as pessoas se sintam bem num espaço e acredito que esta experiência pode mudar a nossa forma de estar na vida. (...) A arquitectura tem um papel educativo a desempenhar (...) Como é que queremos viver na cidade? Um edifício pode mudar a nossa forma de pensar.»

A primeira citação é de uma entrevista de Koolhaas à Wired. Data de Julho de 1996. A segunda são palavras proferidas por Hadid ao New York Times de ontem (via Público). Nao restam dúvidas que Zaha Hadid sabe seleccionar. LAC
 

serviços (mínimos)

Extraordinária exigência aquela que o Pedro Jordão põe no Epiderme. De louvar. Agora anuncia-nos um regime de serviços mínimos. Mas engana-se nas palavras. Diz que agora «vai mudar numa lógica de prezar a qualidade (espera-se) em detrimento da quantidade». Devia no entanto dizer que simplesmente vai diminuir a quantidade. A qualidade, essa, está lá desde o início. LAC
 

Zaha Hadid e o Pritzker

Ei-lo. LAC
 

Dar a mão à palmatória

Há dias escrevi sobre as telas que cobrem os edifícios. Criticava aquelas enormes reproduções de alçado que estão muito na moda, dando o exemplo de um edifício na av. Fontes Pereira de Melo. Dizia “Estas telas que reproduzem o desenho são um atentado (...)”. Venho hoje reconhecer que estava errado. O pano desceu e o edifício foi descoberto. A tela pintada deu lugar ao verdadeiro alçado, à matéria construída. Não tenho pudor em admitir: preferia a tela. LAC


sábado, março 20, 2004

 

torres nos media

Ricardo Carvalho no público, sobre as torres: «Em Lisboa, o que é realmente preocupante é a mediocridade arquitectónica que se tornou norma e teima em resistir, seja ela horizontal ou vertical.» Sim, está bem. Mas o que nós queremos é polémica. Lisboa ganhava ou não com as torres?

Notícia também no público sobre a vítória da Coop Himmel(b)lau no concurso para o BCE. Vale a pena espreitar a fase de concurso.
LAC

sexta-feira, março 19, 2004

 

no estrangeiro

Há muita coisa a acontecer na blogosfera arquitectónica internacional. Bom, algumas coisas.

Via City Comforts Blog: linhas de metro mundiais à mesma escala. E Lisboa?

Adicionei recentemente mais dois links: A Daily Dose of Architecture, e VERITAS et VENUSTAS, um blogue de um activista do New Urbanism.

O que me leva a outro assunto: o New Urbanism. Basicamente é um movimento que defende o carácter compacto, de quarteirão, de bairro, das cidades. Por cá não hesitaremos em apelidar esta ideia como retrógrada, reaccionária, de vistas curtas. Acho no entanto que merece uma atenção especial. É mais uma manifestação que reage ao urbanismo do movimento moderno.

Por falar em reacções ao modernismo, fica o link para um post sobre os malefícios da TIP. O que é a TIP? Tower in the Park, ou seja, a Torre no Parque. Ideia moderna Corbusiana da Carta de Atenas que advoga a construção de torres libertando o espaço verde do terreno. Este texto é uma forte reacção a manifestações contemporâneas dessa ideia (que contraria a "morte" do movimento moderno), escrito sem pretensões e com um tom bem humorado. A ler.
Como vêem, há muita matéria prima à solta. E voltamos sempre aos mesmos temas: construção em altura ou não? Densificação ou não? Se sim, como? Se não, como? Arquitectos de "A" maiúsculo vs. everyday architecture. Liberdades criativas vs. responsabilidades sociais. Enfim, tudo aquilo que nos faz continuar a falar, a falar, a falar... LAC

quinta-feira, março 18, 2004

 

bonito

Talvez seja egoísta e fácil transcrever frases ditas por outros. Acredito no entanto que devemos falar daqueles de que gostamos, porque se nos tocam a nós não poderão também tocar outros? Embora tenham surgido algumas críticas em relação aos "posts políticos" d' O Projecto, talvez tal só aconteça pela extraordinária actualidade e vitalidade manifestada. Acabo de ouvir uma das muitas frases memoráveis do arquitecto Manuel Vicente que parece aliás vir a calhar:

"A política da arte é a total SUBVERSÃO que é introduzida na relação entre nós e as coisas."

AD
 

E agora, arquitectura

Esta semana tem sido terrível. Só se fala de política. Peço desculpa àqueles que por esse facto manifestaram desagrado.
Voltemos então a coisas mais importantes. Porque este espaço continua a ser dedicado à arquitectura. Por comodismo aqui vai uma citação. De Josep Maria Montaner, num pequeno livro chamado «arquitectura y crítica» (GG Básicos).

No solamente esto, la crítica contemoránea se sustenta en ciertos tópicos inamovibles de los que se debería desconfiar. ¿Hasta qué punto es cierto que siempre el arte de la abstracción es más progresista que el arte que continúa los processos miméticos de la realidad?

O que está relacionado com o que diz mais à frente:

(...) no son aquellos que intentan siempre invalidar y superar el pasado los que proponen las grandes innovaciones sino los que viven más enraizados en el pasado e tradición, ya que cuando “se deciden por una innovación modifican no sólo el futuro, sino también y muy especialmente el mismo pasado (...)”.

Esta casa volta ao seu rumo. Pelo menos assim tenta. LAC
 

Contra

As posições extremaram-se. Já ninguém se entende. As ideologias controlam o pensamento, distorcem o bom senso. Nunca a Europa esteve tão dividida recentemente. O Ocidente partiu-se em dois. Sei que faço parte desse fenómeno, ou que por ele fui apanhado. Isso é que me preocupa. A intolerância.

Pacheco Pereira, num notável artigo, diz claramente que fará campanha pels "firmeza absoluta" que a "situação exige". Porque "Isso é mil vezes mais importante que as vicissitudes da política interna. É guerra, é guerra."

Na mesma página, Eduardo Prado Coelho levanta mais uma vez (a milionésima, pelas minhas contas, que a esquerda o faz) o fantasma da extrema-direita sobre quem considera que as eleições espanholas representaram uma vitória dos objectivos terroristas. O manto difamatório cobre de Luis Delgado a Pedro Mexia (que grande confusão!). Inenarrável.

O diálogo parece impossível. Contra o terrorismo, a maior ameaça dos nossos tempos, o Ocidente parece nada querer fazer, apenas discutir. Entrámos numa era ameaçadora, de posições antagónicas. Contra eles, contra nós, sempre contra. Uma posição carregada de ódio. Odiamos quem de nós discorda. Estupidez. LAC

P.S.: Mário Soares disse ontem, sob o sorriso condescendente de Fernando Rosas, que a solução é negociar com os terroristas. Sim, negociar. Sem comentários.

terça-feira, março 16, 2004

 

Torre de Babel

Sinceramente há coisas que não percebo. Outra vez Vital Moreira. E escolho Vital Moreira porque o respeito. Não o identifico com aquela esquerda obtusa e trauliteira. Diz-nos hoje: «Passado um ano, a invasão do Iraque foi um desastre quanto aos seus objectivos (salvo o fim da ditadura, por ora substituída por um arremedo de “transição democrática”, sob tutela norte-americana).»
Portanto, vamos lá tentar perceber. A invasão do Iraque destronou uma ditadura sanguinária e colocou o primeiro país árabe na rota da democracia. O que a ser bem sucedido é um passo de gigante. Mas contudo Vital Moreira não hesita em classificar isto como «um desastre».
Sinceramente há coisas que não percebo. LAC
 

Paradoxo?

(retomamos a emissão regular)

A arquitectura deve responder ao seu tempo. Deve deixar testemunho histórico. Por isso se rejeita o kitsch, as cópias, a demissão de intenção, o "á moda de", as repetições. O nosso zeitgeist é, contudo, marcado por uma cultura do imediato, do superficial, do temporário.

Há poucos dias houvia um destacado cientista dizer que será muito difícil fazer a história da ciência e do pensamento do século XXI, pois o principal meio de comunicação (a internet) não deixa rasto. Do passado chegam-nos as cartas, os livros, os rascunhos, os manuscritos, os objectos. No presente isso não chega para fazer a história. Sem o telefone, a rádio, a televisão e fundamentalmente a internet, o nosso tempo não se explica correctamente. E esses meios não deixam facilmente arquivos.

O que deve ser a nossa arquitectura? Parecer é tão importante como ser? É legítimo construir sem o sentido do longo prazo? Tornou-se a arquitectura num fenómeno de consumo?

Este é o paradoxo. Fazer corresponder a arquitectura ao zeitgeist significa torná-la superficial e volúvel. LAC


 

cara nova

O quase em português mudou o visual, para melhor. Está um pouco minimalista, mas desta vez uso a palavra no bom sentido: claro, simples, leve. Um convite à leitura. LAC

segunda-feira, março 15, 2004

 

A frase mais infeliz

destes dias vai direitinha para Vital Moreira: «A justiça eleitoral escreve direito por linhas tortas...» LAC
 

do ponto de vista deles

Realmente parece também uma tentativa subversiva culpar exclusivamente o terrorismo pela vitória do PSOE. Mas se pensarmos sobre o ponto de vista terrorista abriu-se uma nova janela de acção. Quer acreditemos ou não, o Iraque de Saddam colaborava com facções radicais islamitas. Espanha foi desde a primeira hora um colaborador (e não apenas "apoiante") da intervenção no Iraque. O PSOE já tinha prometido retirar as tropas em caso de vitória. As sondagens davam a vitória ao PP. Depois das bombas o cenário alterou-se. O objectivo dos terroristas cumpriu-se. LAC
 

BIN LADEN'S VICTORY IN SPAIN

A análise certa, do outro lado do Atlântico:

It's a spectacular result for Islamist terrorism, and a chilling portent of Europe's future. A close election campaign, with Aznar's party slightly ahead, ended with the Popular Party's defeat and the socialist opposition winning. It might be argued that the Aznar government's dogged refusal to admit the obvious quickly enough led people to blame it for a cover-up. But why did they seek to delay assigning the blame on al Qaeda? Because they knew that if al Qaeda were seen to be responsible, the Spanish public would blame Aznar not bin Laden! But there's the real ironic twist: if the appeasement brigade really do believe that the war to depose Saddam is and was utterly unconnected with the war against al Qaeda, then why on earth would al Qaeda respond by targeting Spain? If the two issues are completely unrelated, why has al Qaeda made the connection? The answer is obvious: the removal of the Taliban and the Saddam dictatorship were two major blows to the cause of Islamist terror.
LAC

sexta-feira, março 12, 2004

 

Cidades alvo

O ataque de ontem em Madrid representa a cobardia humana na sua mais sanguinária expressão. Utiliza a morte de inocentes para lançar uma onda de terror e pânico que vai para além das duas centenas de vítimas mortais. A natureza do ataque e o local são uma afirmação de rotura total de grupos fanáticos perturbados e desorientados.

O sistema de transportes públicos é a materialização da(s) sociedade(s) democrática(s), o veículo de comunicação de pessoas, sendo as grandes estações locais de identificação moderna, palco de uma cultura de trocas, de relações, de partilhas. O edifício ícone de Atocha (arq. Rafael Moneo) é neste campo bastante afirmativo: uma planta circular, um vazio cilíndrico inundado de uma luz que é filtrada através de uma repetição de um elemento vertical simples que pontua todo o perímetro da fronteira interior / exterior. É ao mesmo tempo anónimo e símbolo. Um daqueles pilares isolado nada é; juntos formam um espaço público. Com uma geometria simples, que não reclama para si qualquer protagonismo além daquele que é conferido por essa simplicidade.

Quer este edifício quer a própria noção de interface de transportes carregam hoje um significado quase religioso. No passado as grandes multidões tinham nas catedrais o seu ponto de encontro. De novo o mesmo mecanismo de representação: um grande vazio, alto, com uma planta de simples reconhecimento, que se caracteriza por uma filtragem da luz cuidada. Hoje as novas catedrais são os interfaces de transportes. Numa sociedade global assim deve ser. Os locais de troca e comunhão são locais simbólicos, verdadeiramente públicos.

A liberdade como valor tem na comunicação o seu pilar fundamental. Num tempo de comunicações virtuais as comunicações efectivas não deixam de ser o que sempre foram. O transporte de pessoas, a sua liberdade de deslocação, o marco físico dessa comunicação que são as linhas férreas, administradas como bem público (mesmo quando sob alçada de privados), representam tudo aquilo de que o Ocidente se orgulha. Fazer rebentar várias bombas à hora de ponta em várias carruagens é uma afirmação de uma total negação pelos valores democráticos. Pela civilização. Pela vida em comunidade. Mais do que matar duzentas pessoas, quer matar o modo de vida que representam.

O alvo são as cidades. Cidades físicas e cidades como mote da cidadania. Os centros urbanos são a vitória da vida organizada em comunidade. São a expressão do imperativo destino humano que é a partilha na diferença, a aceitação na diversidade. A frieza com que os alvos são criteriosamente escolhidos contrasta com o fanatismo doente e perturbado desta gente.

Hoje de manhã chegam notícias de Madrid que relatam um funcionamento do transporte ferroviário, na medida do possível, normalizado. As pessoas fazem-no com medo. Mas fazem-no movidas por um sentimento de expressão colectiva, uma vontade de dar o sinal aos cobardes que não vencerão. Mais uma vez a união faz a força. Por muito cegos que estejam os terroristas, não serão capazes de ignorar os sinais que lhes chegam. Ligam os televisores e surpreendem-se. Em vez do medo, semearam solidariedade. Em vésperas de eleições, conseguiram que os adversários se unissem. Por um valor mais alto.

Contra eles. LAC

quarta-feira, março 10, 2004

 

artificial

É um desabafo impressionante, da DA. Daniela, não te preocupes. A cidade artificial é para quem quer, não é uma obrigação. O que conta continua a ser as pessoas, as suas relações. Para desanuviar as tuas tormentas, que melhor do que um excerto de Manuel Vicente? Está na revista NU #16 (Oriente). Parece que só se lembram dele quando é para falar de Macau, como uma coisa estranha e oriental, exótica, onde tudo se perdoa.

No outro dia estava no Algarve. Eu tenho lá um terreno onde nunca há de acontecer nada, mas tudo bem, tenho o terreno e gosto de lá ir. Da última vez, o carro ficou preso numa rocha. Era um dia de Verão, era tarde, mas ainda de dia. Eu, ainda por cima, tinha um braço partido, pensei:
- E agora como é que eu vou resolver isto? Será que eu cheguei ao limite das minhas possibilidades? Peguei no telemóvel e telefonei para o Automóvel Clube de Portugal. Chegou um homem. Tanto andámos, tanto andámos, que o carro saiu. Ficámos tão contentes e orgulhosos a olhar um para o outro, que eu queria dar-lhe uma gorgeta e ele não aceitou.
- Não quero gorjeta nenhuma, há tempos que não me divertia tanto.
Na volta vinha a guiar com um sorriso de orelha a orelha...
As pessoas estão muito desencorajadas, muito desvalorizadas, não não têm confiança em si mesmas e acreditam que a vida é tão complexa quanto querem crer que é.


Manda lá esses holandeses dar uma curva! LAC

terça-feira, março 09, 2004

 

estou esclarecido

Sempre me intrigou o sucesso do Barnabé. Mas agora está o mistério resolvido. Numa caixa de comentários, Daniel Oliveira escreve: «Como vês, por mais disparatado que seja o que alguém escreve, há sempre alguém para acompanharLAC
 

Daydreaming

Para quem acompanha a vida de uma cidade atentamente um dos maiores prazeres é a observação das tensões entre passado e futuro. O presente, esse, não existe, como todos sabemos.
Para o público em geral não sobram dúvidas sobre o significado a atribuir a cada tempo cronológico: o passado é glorioso e radiante; o futuro é tenebroso. Acontece que para quem gosta de cidades não é bem assim.
Encontrava-me, a propósito de um acontecimento social à hora de jantar, junto ao rio, escurecido pela noite. Silêncio quase absoluto. As cores reflectiam-se ondulantes na água. A fantástica ponte sobre o Tejo recortava-se no luar. Estava bastante frio. Ora, esta situação podia não passar disto que descrevi, o que já não era mau. Mas uma cidade não pára.
Olhava em frente, para a ponta de Cacilhas, onde Almada vem ter com o Ginjal e com os estaleiros da Lisnave. A margueira. Imaginava o projecto famoso pelo nome “Manhattan de Cacilhas”, alto e belo, cosmopolita. Alguém naquele preciso momento partilharia o rio comigo, mas no alto de um septuagésimo andar, na outra margem. Lisboa seria uma paisagem inigualável. O seu septuagésimo andar seria para mim um aperto no coração.
Rodei a cabeça, clockwise. O ferro da ponte conduziu-me até à zona de Alcântara. Daquela tensão entra a enorme estrutura rubra e a linha de margem nasciam três objectos esguios, como irmãos. Como irmãos eram diferentes, cada um com a sua personalidade. A ponte agradecia a companhia, já que durante muitos anos andou só, afugentando uma cidade rasteira.
Imaginava estes cenários e sentia-me ainda mais pequeno. E via orgulhoso o Tejo sobrepor-se à cidade toda. Esta crescia como um adolescente a querer dar nas vistas. Mas mesmo em bico dos pés não ofuscava a presença mitológica do rio.
Olhei para trás. Um cilindro finíssimo quase me caía em cima. Um ponto marcado, o terceiro elemento deste acto. Mais britânico do que os outros. Falava um british irrepriensível. Era o que estava mais próximo, mas tinha sido o último a fazer sentir a sua presença.
Foi só à terceira que ouvi chamarem-me. Tinha de ir para dentro.
Lisboa sempre foi assim, uma cidade de vistas singulares. LAC

 

transcender

Muito bom este texto n'|a|barriga|de|um|arquitecto|. É daqueles textos que apetece comentar com mais tempo. LAC
 

A minha América é melhor do que a tua

Estou sem TV Cabo. Mudei de casa e as coisas demoram. Por isso ontem aturei o Prós e Contras, que, para quem não sabe, é o programa dedicado ao tempo de antena de Fátima Campos Ferreira. Bem, este post por quê? Porque foi extremamente divertido ver Miguel Vale de Almeida citar três (3), sim três (!), instituições americanas de seguida. LAC

P.S.: Fantásticos os mecanismos de controlo e manipulação da opinião pública. E mais não digo.

segunda-feira, março 08, 2004

 

requiem

Nunca ouvi a Voxx. Por outro lado, a Luna vai fazer-me muita falta. Onde é que se ouve Jazz agora? LAC
 

Adopção e homossexualidade

Pois, é isso mesmo. LAC
 

Feminismo

For one thing it has been Gardner’s message – the revolutionary period has been dominated by men, there are very few women among the 400 protean creators I have gathered from other writers. An urbanism both more feminine and coherent would have been far superior to the over-rationalized and bad related boxes that have formed our cities.
(Charles Jencks)

O século passado ficará marcado indiscutivelmente pela “emancipação” na mulher, no mundo Ocidental. A alteração desse estatuto passou por um fenómeno de “igualdade” de direitos, fazendo passar a ideia que entre homem e mulher nada há a separar. O “igualitarismo”. Apesar de isto não ser verdade, foi determinante para a necessária alteração do papel da mulher na sociedade.
As sensibilidades masculina e feminina são diferentes. Se olharmos para a história da arquitectura do sec. XX notamos a ausência quase total da mulher. E, como diz Jencks, isso reflecte-se num ambiente ultra-racionalizado e pouco humanizado. O que deita por terra as teorias igualitárias. O homem e a mulher são diferentes.
Este século será o século da marca feminina na arquitectura. Há quem encare isto com uma calma naturalidade. Para eles não haverá diferença absolutamente nenhuma. Mulher ou homem, arquitectura é arquitectura. Não faz sentido tentar ver aí particularidades de género. Até porque se as mulheres quiserem vencer na arquitectura terão invariavelmente de fazer coisas “à homem”. Enfim.
Para mim é exactamente o contrário. A sensibilidade feminina vai entrar de rompante nas nossas cidades. E isso vai notar-se. Para nosso bem. Estejamos preparados. Mas o que é isso da sensibilidade feminina? São cores e flores? É uma escala mais familiar? É uma domesticação da arquitectura?
Pois claro que não é nada disso e é isso mesmo. A nossa arquitectura é tão masculina que não sabemos sequer o que pode a mulher adicionar. E o estigma da decoração assola algumas viciadas mentes. São eles que mais se vão surpreender.
Há ainda uma barreira a vencer. O primeiro Pritzker para uma mulher. Este irá, como sabemos, para Zaha Hadid. Depois disto sim. Poderemos falar na influência feminina. Porque de Zaha Hadid estamos já nós fartos. LAC

sexta-feira, março 05, 2004

 

Equívocos

Participava numa conversa sobre arquitectura e posturas urbanas. Às tantas, alguém elogiava Rem Koolhaas. Falava de um plano, uma ideia. O argumento principal do elogio prendia-se com o facto de o projecto ser um "manifesto" político. Apesar de irrealizável. O problema não é de hoje. Mas o preocupante é que não aprendemos. Sempre que a arquitectura quis ser politicamente activista falhou. Não serviu para nada, não mudou a vida das pessoas. Nestes casos o feitiço virou-se sempre contra o feiticeiro. E Koolhaas é um óptimo exemplo. Perguntem-lhe se ele trocaria a sua conta bancária e o capitalismo que isso permitiu por uma sociedade colectiva e fraternalmente de esquerda. Pois. LAC

P.S.: Não deixa de ser curioso também que um projecto de Siza agrade principalmente à Direita e indigne a Esquerda.
 

torres

José Júdice hoje, no Independente:

«Torres e torres erguendo

(...) Contra a construção das Torres foram levantadas várias objecções, de diversas proveniências. Dos ecologistas do costume aos ambientofascistas, para quem a visão de um tijolo provoca invariavelmente espasmos de alergia anticapitalista, ou de outras proveniências intelectualmente mais elaboradas como a elegante e displicente prosa de Miguel Sousa Tavares, a opinião profissionalmente preocupada e estaticamente sofisticada manifestou-se, previsivelmente contra as Torres. Os principais argumentos expressos (...) são três. Um, legalista, de que as Torres violam o plano director municipal; um segundo, conservadorista, de que desvirtuam o carácter de Alcântara; e um terceiro, paisagista, de que “cortará as vistas” e alterará o perfil da Lisboa ribeirinha.
O primeiro argumento é o único sério. Se o PDM não permite, náo permite, apesar de haver divergências sobre se permite ou não permite. Mas não sendo o PDM as Tábuas da Lei nem tendo sido ditadas por Jeová ao vereador do Urbanismo e Construção, e tendo sido feitas por homens, os mesmos homens, ou outros, podem modificá-lo se assim o entenderem. É uma questão política, ou de políticas.
O segundo e terceiro argumentos, sobre a preciosidade do carácter de Alcântara e a intocabilidade das belas vistas (sobre a parte de baixo da Ponte 25 de Abril) que se desfrutam dos becos, dos barracões fechados, das fábricas abandonadas, e dos prédios pobres da zona ribeirinha de Alcântara, são mais curiosos e, apesar da aparente fragilidade da sua sustentação, os mais difíceis de combater e rebater.
É o momento, talvez, de declarar um conflito de interesses, como dizem os anglo-saxões, nesta questão: Alcântara, em particular a zona da fábrica da Sidul, é um nojo urbanístico, um cemitério de arquologia industrial sem nada de especial arquitectónica ou historicamente preservável, uma zona da cidade totalmente dominada por vias de comunicação como o comboio, a marginal, vias rápidas e os acessos à ponte, totalmente invivível a não ser por quem está habituado ou não tem outro remédio. Não há “carácter” nesta parte de Alcântara que mereça ser defendido nem “vistas” (vistas? Que vistas?) que mereçam ser preservadas.
No entanto, é como se bastasse pronunciar as palavras mágicas “preservação” ou “paisagem” para que as forças do Mal possam ser travadas nos seus malvados instintos, como se em causa estivessem valores fundamentais do nosso património construído, da nossa identidade cultural ou da nossa riqueza natural.
Mas, ao contrário da costa algarvia, da região Sintra-Cascais e de muitos outros locais que ainda há três décadas eram paraísos naturais e hoje são florestas de betão, Alcântara é Lisboa. Faz parte de uma cidade que está a morrer, a perder habitantes, a degradar-se, a ficar desertificada, porque não é rendível construir os prédios antigos para os arrendar às mesmas pessoas pelas mesmas rendas (...). Dir-se-á que as habitações propostas para as Torres também não são para o “povo”. Pois não. Mas também não são para o povo os “lofts” resultantes da reconversão dos armazéns e barracões da zona ribeirinha (...). Façam-se as Torres ou não, uma coisa é certa: para os antigos terrenos da Sidul não irão viver os marinheiros, os funileiros, os marceneiros, os torneiros, as prostitutas e os fadistas da Alcântara histórica. Os que ainda sobram ou estão a caminho da reforma ou estão a caminho da Amadora, Oeiras ou Odivelas.
Por detrás do ódio ao construtor civil está o rancor ao progresso que destroi o Portugal rural, pobrete e alegrete, que é cada vez mais um prazer acessível apenas a quem tem dinheiro para comprar quintas e montes arruinados, e o horror ignorante à arquitectura moderna que desvirtua o “carácter” tacanho e tugúrico dos nossos bairros “populares”. (...)

P.S. – Já me ia esquecendo: até nem aprecio muito Siza Vieira.»

quinta-feira, março 04, 2004

 

mein Freund

O que vês Lutz, é também uma casa que rejeita ser habitada. E uma casa que não é habitada não é uma casa. É, como disse, «outra coisa qualquer». As semelhanças entre a Vanna Venturi e os «prédios da reboleira» ficam-se pelo facto de serem habitações, com gente lá dentro. A partir daí... LAC
 

A Vós

A Voz do Deserto está activa há um ano. Manter um (bom) blogue a solo durante 366 dias não é brincadeira. Parabéns Tiago, e continua. LAC

quarta-feira, março 03, 2004

 

porque hoje é dia de debate

A discussão sobre o aborto é improfícua. Nunca vi ninguém mudar de opinião. A mentalidade muda sim quando a informação é adquirida. A informação é uma coisa importante, tantas vezes ignorada.
Sou contra a prática do aborto. Sou a favor de um Estado que sobre isso não seja ausente. Ao que sei, não há nenhum dado científico que permita separar o início da vida humana da concepção. 10 semanas? 12? Porquê? Qual é o critério?
Acredito na Vida desde a concepção. Provem-me o contrário e mudarei de opinião. LAC
 

Ou sim ou sopas

Pedro Silveira, promotor do projecto das torres de Alcântara, afirma hoje no Público:

"Se a câmara entender aprovar o projecto com as torres, o que achamos que é possível com base no Plano Director Municipal que está em vigor (com base no ponto 3 do artigo 75 do PDM), muito bem. Caso contrário, avançaremos com o projecto alternativo, que também já está a ser feito, não pelo arquitecto Siza Vieira, mas pelo arquitecto Mário Sua Kay, contemplando edifícios de oito pisos, com jardins interiores privados, como permite o PDM"

Este dado torna-se fundamental. A partir de hoje a decisão de apoiar as "Torres do Siza" trata-se de uma questão de exclusão de partes. LAC

terça-feira, março 02, 2004

 

Qual é a forma de uma casa?

Não é por acaso que o desenho mais produzido na infância retrata uma casa, isolada, com árvores à volta, uma porta, duas janelas, fumo que sai da chaminé. O imaginário é forte, não foi derrotado pela abstracção formal dos volumes puros e das coberturas planas.
Há algo de inquietante neste facto. Será que uma casa tem mesmo de ter um telhado de duas águas? Por outro lado, porque não? Claro que esta preocupação só tem sentido se se considerar a forma como um factor importante. Assistimos hoje a um desinteresse pela forma, que se percebe, que talvez venha a ter consequências no futuro. Percebe-se porquê se o Modernismo falhou, também assim aconteceu com o Pós-Modernismo. O figurativo morreu cedo. O barroco voltou à caixa.
Não consigo deixar de me divertir com a Casa Vanna Venturi. É um exercício irónico e fantástico, angustiante, que se vai revelando, misterioso. Não devemos ter medo do divertido na arquitectura. O habitar não se faz apenas através da violência, mas também por um processo lúdico de fruição espacial, da manipulação da forma, luz, e significados. A Casa Vanna Venturi não se dá a descobrir de mão beijada: «E um olhar atento e explorador começa a compreender que o que parecia uma simples casinha de duas águas é afinal uma habitação complexa e contraditória.» (1)
Só foi possível a Venturi desenhá-la recorrendo à sua sabedoria. Um exercício desta envergadura exige um domínio da história (antiga e recente) do pensamento arquitectónico, para sobre ele ter a capacidade de inventar, desafiar, expôr, rir. Venturi manipula os elementos que todos sabem reconhecer atribuindo-lhes protagonismos inesperados: «Dois elementos verticais, a lareira-chaminé e a escada, competem, por assim dizer, pela posição central. E cada um desses elementos, um essencialmente sólido, o outro essencialmente vazio, transige no tocante a seu formato e posição – isto é, inflecte na direcção do outro para fazer uma unidade da dualidade do núcleo central que eles constituem.» (2)
Sabe lidar com as diversas escalas que uma casa exige, levando a ambiguidade ao pormenor quotidiano: «o pé da escada é um lugar para ficar sentado como para subir e para colocar objectos que tenham de ser levados para cima mais tarde.» (3) O elemento “como” é decisivo. Adiciona, complementa, enriquece.
Tudo isto gera um objecto estranho. É demasiado parecido com a casa do desenho infantil e contudo tão perturbadora. Venturi sente prazer em jogos formais que manipulam elementos padrão. Mas essa manipulação questiona o seu significado, como por exemplo «a pequena “escada para lugar nenhum”» (4), que perdendo função não perde significado. Ficamos numa permanente dúvida, intrigados e com vontade de saber mais, sempre mais.
É um processo de consumo. Bem ao estilo dos sixties pop. Consumimos tudo, ironiza-se sobre esse consumo. A Casa Vanna Venturi dá luta.
Bonita? Feia?
E se for simplesmente bonita e feia? Será possível? Será interessante?
Este tipo de interrogação só é possível porque a Casa Vanna Venturi é um acontecimento único, singular, irrepetível. Como uma obra de arte. Não se trata do fenómeno primeiro estranha-se, depois entranha-se, pois neste caso o entranhar só é possível ao estranhar, um estranhar permanente.
Robert Venturi só podia ser um homem feliz quando desenhou a casa para a sua mãe. Não há ali rancor, desilusão, angústia. Apenas uma enorme paixão pela arquitectura. LAC

(1) João Vieira Caldas, Colagens Eruditas, JA nº203
(2) (3) (4) Robert Venturi, Complexidade e Contradição em Arquitectura

 

Olha mais um

Mais um blogue que fala sobre arquitectura: Extractos. LAC

segunda-feira, março 01, 2004

 

Pois, os Óscares

Hoje é dia de comentar os Óscares. Não me vou esquivar. Como é óbvio ninguém dá crédito às escolhas, que nascem tortas nas nomeações. O fascínio é outro. Ontem, por exemplo, havia Angelina Jolie vestida de branco. LAC
 

prioridades

Contei-os. O Pedro Mexia tem 22 novos posts. Que bela segunda-feira! Até amanhã. Trago no bolso um texto sobre a Vanna Venturi. Fica prometido. LAC
 

O que é nacional é bom

Em vez de andarmos todos entusiasmados com programas pseudo-musicais de karaoke, onde julgamos estar na presença de estrelas, que tal dar atenção ao que de verdadeiramente de bom se faz por cá? Ide à página principal do Rock in Rio. Dia 29 de Maio, na «Tenda Raízes», At-Tambur. Vale os 53€ inteirinhos (dica do "5"). LAC

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