O PROJECTO

Contribuições, insultos, projectos de execução, mas principalmente donativos chorudos para:

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terça-feira, setembro 30, 2003

 

The Super Hi-Tech Professional Architect

A arquitectura dá dinheiro. É um facto. Aliás tem a potencialidade de dar muito dinheiro, como qualquer actividade do sector da construção. Assim sendo, não espanta que alguns considerem que essa é a primeira preocupação, o único objectivo, ou seja make money. A arquitectura como empresa, não que isso seja condenável, mas apenas como empresa.
Depois lá está. Usam argumentos de sedução da clientela, também ela abstracta e corporativa, The Corporate Architects. Argumentos apoiados em números e factos, em garantias e seguros, em tabelas e índices. Responsabilidade profissional, dizem. Tudo bem, nós comemos isso. Grandes equipas, capacidade de gestão, metas, prazos cumpridos ao segundo. Outro nível, outra dimensão.
Usam termos anglófonos, sinal de uma internacionalização que a sua condição exige, o País é demasiado pequeno, demasiado provinciano. Não têm um único pensamento motivador, um único sonho, uma única utopia. E sentem-se bem, pois a conta bancária aumenta.

Só não venham é refilar quando se diz que essa arquitectura não tem interesse. LAC
 

Vocabulário

Divirto-me com o vocabulário arquitectónico. Uma das situações que mais me entretém é reparar como uma «janela» passa sempre invariavelmente a «entrada de luz». Ou então como o «corredor» é sempre um «espaço distribuidor». Não critico, também os uso, têm fundamento e são correctos, mas não me deixam de divertir. Enfim, se não nos rirmos de nós próprios, então de quem nos riremos? LAC


 

Típico

Não gosto de coisas típicas, de canções típicas nem de arquitectura típica. Pronto já disse. Fico sempre na dúvida se é típico porque alguém decidiu dizer que era típico, ou se alguém decidiu dizer que é típico porque realmente era típico? Perceberam? Não faz mal.
Nunca fui ao Tibete. Se uma agência de viagens me disser que «é típico» os monges vestirem de laranja, então vou lá e tiro fotografias às vestes laranjas, contente por se confirmar que realmente são típicas. Caso contrário limitar-me-ia a constatar a peculiaridade da vestimenta dos senhores carecas. Não sei se me expliquei. LAC

 

Paternalismo patético

No post de ontem «Casa Pacheco de Melo» enderecei os meus parabéns ao arquitecto, Pedro Maurício Borges. Depois de o publicar fiquei a olhar para aquilo e pensei: «mas quem sou eu para dar os parabéns seja a quem fôr?» LAC

segunda-feira, setembro 29, 2003

 

Sistema de comentários

Re-instalei o dito cujo. Não se inibam, abusem dele. LAC
 

«ganha quem disser menos com o maior número de palavras»

Reproduzo um post de 10 de Setembro (que so agora li) do blog sem nome sobre a crítica de arquitectura, que vem no seguimento do que aqui se tem dito:

«Os nossos críticos limitam-se a jogar um five against one por palavras, dependendo o orgasmo do número de palavras (obviamente não óbvias) com que conseguem expor ideia nenhuma. Pior que isso é o ar sorridente com que se acham sabedores e senhores da razão, quando não passam de uns vendilhões do templo mais literados, porém, com grande dificuldade em fazer passar qualquer tipo de ideia menos óbvia que fritar um ovo, por escrito. Basicamente (e aqui eu vejo uma ligação com a sociologia): ganha quem disser menos com o maior número de palavras.»

Vêem, não sou o único. LAC


 

O ranking

O Projecto ocupa o 81º lugar de entre 191 blogs nacionais, segundo o ranking da Technorati. Ainda bem! O que seria se fosse, por exemplo, o 86º? Que vergonha, ufa. LAC
 

Lomba

Saúdo o regresso do Pedro Lomba. Como não estava cá nessa altura, safei-me do susto da eventualidade da sua deserção. Fixe, o gajo ainda anda por cá. LAC
 

update

Blogs e mais blogs. Vou acrescentando vénias ao curriculum, falhando outras devidas. Bem, por enquanto já fiz justiça ao Avatares de Desejo, ao Barnabé, ao Glória Fácil e aos Intrusos. Como podem ver, há ainda muito trabalho a ser feito. LAC
 

A Arquitectura como Arte (3)

Um dos aspectos no qual a arquitectura partilha com a arte é o seu carácter regional, ou regionalista. Um dos produtos do modernismo foi o chamado regionalismo crítico. Contudo não é apenas disso que falo.
O genius loci, ou o espírito do lugar. Conceito inerente à construção, que indica uma forte influência do sítio na arquitectura. O construído não pode ignorar o sítio. A Segunda Natureza resulta da Primeira (a Natureza).
O que nos faz viajar, conhecer as cidades que não conhecemos? O que nos leva a percorrer centenas ou milhares de quilómetros só para viver uma coisa que já vivemos, a cidade? A sua especificidade. O que a torna única, singular, apaixonante. Conhecer outros povos, outras culturas, outras maneiras de estar. E não descobrimos outra cultura visitando um museu, ou navegando na internet, mas fundamentalmente visitando as suas cidades. Isto acontece porque a arquitectura, a construção, é uma forma de expressão popular, cultural (aqui os dois conceitos não são distintos). E digo arquitectura não só como obra de arquitecto mas como qualquer construção, qualquer realização humana no domínio da transformação do território.
Este carácter regional, subjectivo, cultural, ajuda-nos a compreender a arquitectura como arte. LAC
 

A arquitectura como política

Muitas vezes a arquitectura constitui-se como manifesto político. Não apenas como manifesto social mas como manifesto ideológico. Já aqui falei do desconforto que me causa esta colagem frequente à esquerda, dando ares de superioridade moral e social. Não gosto e repudio. No séc. XX houve no entanto um marco fundamental na história revelador desta colagem. Falo do impulso modernista, o estilo internacional, e a sua inspiração nas utopias socialistas. Principalmente no que ao urbanismo diz respeito, esta associação produziu muita teoria, muitas obras, muitos dos conceitos que ainda hoje tomamos como importantes na arquitectura. Felizmente soubemos perceber que o socialismo utópico falha, gera regimes desequilibrados não democráticos. Infelizmente na arquitectura ainda se perseguem ideologias passadas, utopias desfasadas da realidade. Na verdade isto não é bem assim. O que é realmente posto em prática já pouco tem a ver com os sonhos de cidade socialista, de cidade-comunidade igualitária. Mas o discurso arquitectónico ainda vive apoiado nestes princípios.
Como será a arquitectura de direita (por favor ler de direita, ou não esquerda, e não extrema direita, é o mínimo)? Ou será que existirá mesmo teoria urbanística coerente apolítica? O que será o liberalismo urbano? Será diferente do capitalismo especulativo? Que papel para os planos no século XXI? O socialismo falhou, e agora? LAC

 

Casa Pacheco de Melo

Na gloriosa ilha de S. Miguel tive a oportunidade de conhecer a casa Pacheco de Melo, vencedora da última edição do Prémio Secil. Bati à porta e entrei. Assim mesmo, nem mais. Obviamente vínhamos (não estava sozinho) incomodar, mas como não é todos os dias que se vai aos Açores não nos importámos com isso. A simpatia do dono foi extraordinária. Insistiu em percorrer os cantos e recantos da casa, falando energética e apaixonadamente sobre cada detalhe. Falou da casa e da sua génese, do longo processo entre o sonho e a concretização. Com a alegria de uma criança, imparável, conduziu o grupo de estranhos numa viagem de arquitectura, contando uma estória corroborada pelas paredes que nos encerravam.
Poderia falar da casa, da sua magnífica implantação, da calma e tranquilidade que faz sentir. Mas não me apetece.
Fico-me pela forte impressão que me causou a total identificação de uma pessoa com uma arquitectura que lhe é exterior, pois a criação pertenceu a outro, o arquitecto. Como cliente João Pacheco deu liberdade total ao contratado. Isto não se deve apenas ao facto de as duas pessoas serem amigas, amigos amigos, negócios à parte. Esta confiança teve um factor mais decisivo: a sintonia de sentimentos pelo sítio. Contou-nos o simpático interlocutor que durante a visita ao terreno percebeu que o arquitecto sentia pelo sítio o mesmo que ele, a mesma vibração, a mesma paixão que o levara a comprar aquele bocado de terra. A partir dali, o habitar começara.
Foi marcante ver a alegria do dono da casa. Não é todos os dias que a arquitectura consegue ter este impacto, esta força.
A Casa Pacheco de Melo mereceria o Secil só por isto.
O arquitecto chama-se Pedro Maurício Borges. Parabéns. LAC
 

É exactamente isso

Li, com algum atraso, um comentário no Salmoura à intervenção televisiva do Pacheco Pereira. Transcrevo-a, pois acho que vale a pena:

«Eco defende que não se deve ter receio de dar cultura erudita ao grande público porque esta é a única forma de o cultivarmos. Durante os primeiros tempos ele pode nada perceber, mas aos poucos vai descobrindo o que se lhe quer transmitir e começa aí a dar os primeiros paços que o podem conduzir a algo mais interessante e compensador e a adquirir ferramentas que lhe permitam formar o sentido crítico e olhar de outra forma o mundo que o cerca e a compreender a sua complexidade.»

Vem isto a propósito pois considero que se pode aplicar à arquitectura, estando relacionado com a contemporânea questão do arquitecto artista vs arquitecto homem de negócios.
Vou tentar escrever alguma coisa sobre isso brevemente, sendo que este pequeno parágrafo é muito útil como inspiração. No fundo trata-se da complexa situação do artista incompreendido, da mensagem que não chega a todos, da clivagem entre arte e público. Complicado. LAC

sábado, setembro 27, 2003

 

Lisboa

Depois de 15 dias de tranquilidade e paz, inundado pelo silêncio Açoriano, sabe bem voltar para a confusão, o trânsito, o stress, o palavrão, os cartazes. A sério.
O blog segue dentro de momentos.LAC

terça-feira, setembro 09, 2003

 

fly away

Sim é verdade. Mais quinze dias fora da blogosfera. Não posso fazer nada, isto anda difícil. Não se esqueçam da morada pois isto continua, em breve e num computador perto de si. LAC
 

questionário de verão

Já que vim de férias - aproveito para dizer que nos próximos quinze dias, 11 a 26, irei para os Açores, longe de computadores, logo inactivo bloguisticamente - falo de um livro. Não conhecia nada do autor, mas o livro fascinou-me. Ora tomem lá Paul Auster com A Trilogia de Nova Iorque. Vale o que vale, mas recomendo-o. LAC
 

A crítica

A crítica de arquitectura em Portugal não é boa. Falo da crítica diária, da revista. Quando uma obra é apresentada nas páginas de uma publicação da especialidade o texto que acompanha é sempre muito elaborado, pouco claro, muito abstracto e evocando muitos conceitos. Normalmente sai sempre do âmbito objectivo de análise de uma obra, e entra frequentemente no campo da teoria.
E isto não é bom. Crítica e teoria são coisas distintas, cada uma com o seu papel. Á crítica (e volto a pisar um tecla já pisada) cabe a responsabilidade de análise objectiva. Objectiva no sentido de ser independente e directa ao assunto. Independência em Portugal é difícil, o país é demasiado pequeno, somos sempre amigos de alguém. E objectividade é coisa que manifestamente não se vê na crítica. Quem escreve, o arquitecto, preocupa-se sempre em mostrar que sabe. Não sei se por receio, como meio de defesa, ou se por ostentação e orgulho, mas numa simples análise de uma obra simples (como uma moradia unifamiliar, por exemplo) o texto é tudo menos simples.
A crítica não é só feita para arquitectos. Cabe ao crítico desmontar e desmitificar os códigos e a linguagem usada na arquitectura, como meio de promoção da própria arquitectura e consequente aproximação do leitor, do leigo.
Será isto possível? Claro, basta ler uma qualquer publicação anglo-saxónica. Alguém que domine razoavelmente (não é preciso mais) o inglês, fica bastante mais bem servido pelas publicações britânicas, ou americanas. São mais claras, mais escorreitas, mais independentes e, surpresa das surpresas, contém até algum sentido de humor! Já não exijo isto cá para o burgo, o sentido de humor não é claramente o nosso forte. Mas um bocado mais de independência não fazia mal nenhum. Chega de paredes brancas e purismo formal. Atrevam-se a arriscar, a dizer mal, a propôr algo contra a corrente.
O conformismo impera, e o leitor é que se lixa. LAC
 

é apenas um edifício

Ontem voltei a um edifício. Tem uns dois ou três anos de funcionamento. Estive lá no ano passado, podia dizer-se que estava como novo.
O cenário foi uma tristeza. Arranjos exteriores que ficaram por fazer, desordem, degradação, cicatrizes e feridas de actos de vandalismo. Gradeamentos postos para impedir o acesso de pessoas em zonas fechadas. Apesar de ser um edifício público estava vazio. A arquitectura? Estava lá toda, como estivera no princípio. Continua a fascinar-me, a maravilhar-me, a surpreender-me.
É pena esta falta de respeito pelo edifício (este, ou outro qualquer). Não sei se é por ser público e situar-se numa zona desordenada e caótica, mas o estado visível de indiferença desilude.
Fui lá porque queria dar a conhecer o sítio a uns amigos. Não correu como queria. O que vale é que com esforço pode sempre reconhecer-se a obra de arte. Mas para o transeunte não passa de mais uma piscina como outra qualquer, que serve para o que serve. LAC

segunda-feira, setembro 08, 2003

 

Já reparou?

Depois de contornar o Marquês de Pombal, como todos os dias, meto-me na Braancamp em direcção ao Rato. Mas, ao contrário de todos os dias, não senti a mudança de piso, não notei aquela vibração no carro causada pelas pedras do pavimento. Gostava disso. Uma transição física, que produzia um ruído familiar, que assinalava a transição entre dois espaços distintos, a rotunda e a rua. Surpreso exclamo para mim próprio: «esta merda está com um piso novo». Como estive de férias não dei pelas obras, o que acentuou o carácter de surpresa. Bem, é o progresso, pensei. É sempre bom sinal. Não devemos criticar tudo o que seja dinheiro público bem empregue, como seja a repavimentação de uma das artérias mais importantes da cidade.
Pensava eu.
Até que o vi.
«JÁ REPAROU QUE A BRAANCAMP TEM UM PAVIMENTO NOVO?
ORÇAMENTO: 127 MIL EUROS»
Há limites. Aquele placard verde com letras amarelas destruiu o momento. A apreensão súbtil, real, natural, de uma cidade em mutação, deu lugar a uma acção de campanha, barata, vulgar, despropositada. É bonito fazer a obra. Mais bonito é o reconhecimento, a surpresa, a satisfação popular.
Aquele cartaz absurdo é um atentado à vida urbana e à inteligência do cidadão.
Estou bastante mais satisfeito com esta câmara municipal do que a anterior, liderada pelo João Soares. Mas com cartazes destes só me aptece dizer: «dr. Santana Lopes, vá-se lixar!» LAC

 

Norman Foster

O arquitecto inglês foi escolhido para uma intervenção em Santos, no aterro da Boavista. Lisboa vai ganhar, no cruzamento da av. D. Carlos I com a 24 de Julho, junto ao IADE, um novo espaço de habitação, serviços, comércio e lazer. Os lisboetas podem esperar o quê? Bem, acima de tudo, uma coisa com um boa imagem, limpinha e competente, que sem dúvida irá ganhar a reputação de “moderna”. Será um sítio de eleição? Estaremos à espera de uma obra de arte? Provavelmente não, mas o limpinho já não é mau. De qualquer maneira é motivo de satisfação poder contar com o trabalho do britânico em Lisboa. Estou certo de uma coisa: o grupo Espírito Santo vai dar por bem emprego o seu dinheiro. LAC

sábado, setembro 06, 2003

 

troubled times

Infelizmente ainda não posso dizer que voltei a tempo inteiro. Prevêem-se dificuldades durante este mês. Ainda para mais o blogger.com decidiu fazer alterações ao seu funcionamento, mudou o layout da página de edição. Será que não dá para pôr um conservador à frente da direcção? LAC

quinta-feira, setembro 04, 2003

 

Aconteceu

Já me esquecia do fim do Acontece. Os amigos do CPC devem estar de cabelos em pé. Para a história fica a última actuação no programa, o último momento emitido. Foi a intervenção dos At-tambur. Não sabem quem são? Então descubram-nos e maravilhem-se. LAC
 

Alberto Gonçalves

Está claro que a lista de links vai ter de ser actualizada. Por enquanto a notícia que todas supera é sem dúvida o Homem-a-Dias. Com uma carta de recomendação do Pedro Mexia, pela revelação feita pelo próprio no seu primeiro post que foi convidado, em tempos, a integrar a Coluna Infame, vai para os favoritos. LAC
 

Ela cresce

A blogosfera está na moda e cresce. Não acreditam? É só dar um salto ao Aviz e dar uma "olhadela" aos links. LAC
 

Ao menos isso

Aterrado por ter perdido mais de um mês da blogosfera, noto que o Pedro Mexia andou inactivo. Há males que vêm por bem. LAC
 

Silly

Das notícias de verão apetece-me lembrar o comício do PS. Não sei porquê mas é aquele acontecimento que mais me vem à memória. Boa PS! Parabéns Eduardo. LAC
 

Blogs de arquitectura

Noto que apareceram mais blogs de arquitectura. Sejam bem vindos. LAC
 

Isto está difícil

Já me encontro em Lisboa. Cidade, que alívio. O problema é que estou desalojado, sem casa, debaixo da ponte. Pois é, mudar de casa tem destas coisas, sai-se de uma mas a outra não está pronta. Em Portugal os prazos são apenas um indicador, uma referência. Facto curioso: telefona-se para a TV Cabo a perguntar se na minha futura morada há o serviço disponível. Respondem-me que não, que só vai até ao número tal. No dia a seguir constata-se que os ucranianos (nome pelo qual são conhecidos os trabalhadores da obra, vá-se lá saber porquê) vêem alegremente o Eurosport. Alguém se enganou...
De qualquer maneira só para dizer que isto está mesmo difícil. A qualidade e frequência do serviço não estão de todo garantidas. Para grande infelicidade minha. LAC

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