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terça-feira, setembro 09, 2003

 

A crítica

A crítica de arquitectura em Portugal não é boa. Falo da crítica diária, da revista. Quando uma obra é apresentada nas páginas de uma publicação da especialidade o texto que acompanha é sempre muito elaborado, pouco claro, muito abstracto e evocando muitos conceitos. Normalmente sai sempre do âmbito objectivo de análise de uma obra, e entra frequentemente no campo da teoria.
E isto não é bom. Crítica e teoria são coisas distintas, cada uma com o seu papel. Á crítica (e volto a pisar um tecla já pisada) cabe a responsabilidade de análise objectiva. Objectiva no sentido de ser independente e directa ao assunto. Independência em Portugal é difícil, o país é demasiado pequeno, somos sempre amigos de alguém. E objectividade é coisa que manifestamente não se vê na crítica. Quem escreve, o arquitecto, preocupa-se sempre em mostrar que sabe. Não sei se por receio, como meio de defesa, ou se por ostentação e orgulho, mas numa simples análise de uma obra simples (como uma moradia unifamiliar, por exemplo) o texto é tudo menos simples.
A crítica não é só feita para arquitectos. Cabe ao crítico desmontar e desmitificar os códigos e a linguagem usada na arquitectura, como meio de promoção da própria arquitectura e consequente aproximação do leitor, do leigo.
Será isto possível? Claro, basta ler uma qualquer publicação anglo-saxónica. Alguém que domine razoavelmente (não é preciso mais) o inglês, fica bastante mais bem servido pelas publicações britânicas, ou americanas. São mais claras, mais escorreitas, mais independentes e, surpresa das surpresas, contém até algum sentido de humor! Já não exijo isto cá para o burgo, o sentido de humor não é claramente o nosso forte. Mas um bocado mais de independência não fazia mal nenhum. Chega de paredes brancas e purismo formal. Atrevam-se a arriscar, a dizer mal, a propôr algo contra a corrente.
O conformismo impera, e o leitor é que se lixa. LAC
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