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terça-feira, dezembro 16, 2003

 

Ser «moderno»?

Não é estar permanentemente na ponta aguçada da vanguarda. Isso é certo. Os que assim vivem não existem, são espelhos com pernas que não sabem o que são. Inquietos, não perdem uma actualização, seja no vestir ou na música. Não analisam, não reflectem, não confrontam. Nunca olham para trás. Por isso não são modernos.
Então o que é ser moderno?
Não há lugar para pessimistas. Lamentações saudosistas não andam de braço dado com a modernidade. Há que acreditar minimamente nos dias que correm, que o mundo de hoje é, algures, melhor do que o de ontem. Não é fácil, exige um olhar crítico acutilante.
Exige também outra coisa.
O que estamos nós aqui a fazer se não acreditamos que podemos mudar o mundo? Parece uma expressão de candidata a miss mundo? É muito mais do que isso. Ser moderno implica viver hoje e aqui, motivados pela certeza que o futuro é da nossa responsabilidade. Por isso quer queiramos quer não nós mudaremos o mundo (nem que seja depois das três da manhã).
Há quem se demita desta certeza.
Mas não conseguem. Só morremos quando morrer a última pessoa que ouviu falar de nós. Esse é o legado que deixamos. A memória constrói-se diária e colectivamente. É difícil compreender o longo prazo da memória, que ultrapassa a nossa condição humana, insignificante, limitada e breve.
Ah! parece que chegámos a um sítio qualquer.
Então ser moderno é ter memória? É, mas sobretudo construí-la. O património de hoje foi sempre modernidade de então. ESTA É A VERDADE. E mesmo a História é trapaceira. Vestida no seu manto imune leva a consciências deturpadas. Suportar a vida em historicismos duvidosos, viver preso a um passado idílico que nunca existiu senão na nossa cabeça, é semelhante ao depressivo que não sai da cama. Como diz Mario Vargas Llosa «a História é uma ciência carregada de imaginação.»
Então afinal é estar na vanguarda permanente?
O futurismo é uma ciência ainda mais fracassada. Um exercício muito interessante é observar os cenários que foram sendo imaginados para o ano Dois Mil. Os vanguardistas alucinados deveriam tentar fazer essa simples análise, e reparar nas asneiras que os seus pares disseram e escreveram. Asneiras no bom sentido, pois a componente humorística é elevadíssima. Lembro-me agora de uma comparação casual: o cenário miranbulante da série animada The Jetsons, e o fantástico confronto psicológico e ambiental de um imaginário assustador e perigoso descrito em Minority Report.
Parece que não chegámos a nenhuma conclusão.
As conslusões são difíceis e ingratas. Ser moderno é ter consciência que a História não é mais do que uma sequência de «hojes», de presentes, de intantaneidades. Ensinam-nos na escola: «a História é uma maneira de conhecer o passado, compreender o presente e projectar o futuro.» Repare-se na pedra-chave: «e projectar o futuro».
Ei-la - a conclusão.
Afinal ser moderno é projectar o futuro. Pelo menos tentar. Porque sobre nós cai uma única certeza: o futuro está à porta, é real, vai existir. Ainda que quando lá chegarmos não percebamos. LAC

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