O PROJECTO

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quinta-feira, julho 24, 2003

 

Devolvo o passe cruzado

Julgava eu ter escrito um post de férias, a falar da bola, que não ia levantar ondas, quando percebi que estava enganado. O hARDbLOG discorda do meu apreço pelo Estádio das Antas (ponho as maiúsculas que foram precisas). Diz também que para mim o Estádio da Luz está acima de quaisquer críticas. Comecemos por aqui. Não referi que à primeira vista a Nova Catedral me pareceu uma desilusão. Quando vi os primeiros "press release" com aquelas imagens computadorizadas fiquei algo apreensivo. Aqueles arcos pareciam-me despropositados. Contudo (talvez afectado pela clubite, admito) quando visitei a obra já num estado avançado, com a cobertura completa, fiquei surpreendido pela positiva. É claro que não passa de um «campo da bola», sendo neste caso imcomparável à obra prima de Braga. No entanto acho que um estádio deve ser sobretudo um campo da bola. Não me choca que um estádio (como o da luz) tenha caído quase de para-quedas naquele terreno, com poucas preocupações de implantação. A periferia também dá para isto. Um estádio vale pelo seu ambiente interior, pela capacidade que tem de albergar e dar condições para as manifestações populares, massificadas. E quando visitei a obra, mesmo com o estádio vazio, não deixei de sentir essa força quase mítica que vem de um estádio (não só do nosso estádio). A inclinação das bancadas, os dois pequenos anéis centrais, a cobertura, o gesto largo dos arcos, tudo se conforma para definir um belo estádio.
Quanto ao Dragão, não visitei a obra, mas tive a opurtunidade de assistir a uma apresentação do arquitecto - Manuel Salgado -, e do engenheiro responsável pela estrutura da cobertura - António Reis -. Fiquei impressionado. Em relação à cobertura, que tem aquele aspecto leve quando comparado com os tirantes de Alvalade, ou os arcos da Luz, há uma história engraçada. Dizia o eng. António Reis que, antes de ter a primeira reunião com a direcção do FCP, tinha esquiçado umas ideias para a cobertura. Entre elas estavam o modelo de tirantes, ou o modelo de arcos suportantes. Quando chegou à reunião foi-lhe dito: «sr. engenheiro, pode fazer o que quiser, mas tirantes é que não», numa alusão ao estádio de Alvalade. O modo como foi resolvida a estrutura da cobertura é muito elegante, unificando o estádio. Também a ideia de não haver bancadas superiores a partir da cota da "praça" que contorna o estádio, permitindo assim uma visão longitunidal que se atravessa de um lado ao outro, é interessante. É original e pode contribuir para a identidade do estádio, e para a definição de um "lugar".
Quanto a Braga parece haver um concenso. Também essa cobertura tem uma história engraçada. Diz Souto Moura que quando a pensou, pensou-a contínua. «Como a pala do Siza». Depois informaram-no que isso mataria o relvado, implicando um investimento de 30 mil contos periodicamente. Procurou então uma maneira de deixar passar o sol. Há esquiços de uma pala esburacada, perfurada, «como um queijo suiço». Mas as sombras que povocava inviabilizaram essa ideia. Finalmente, no fim do processo, chegou-se à solução definitiva, com os cabos que unem os dois lados da pala.
O processo de criação é - quase sempre - mais fascinante que o resultado final. Esse é o drama da arquitectura. O grande esforço que é feito procura essencialmente um objectivo: tentar parecer que tudo foi feito sem esforço. É irónico e ingrato. LAC
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