O PROJECTO

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quarta-feira, julho 23, 2003

 

El Corte Português

Leio na Esquina do Rio que o edifício do El Corte Inglés foi construído à revelia da(s) lei (s). Bem, já começa a ser um dado adquirido nas obras aprovadas durante essa gestão. Não me surpreende. Acontece que tive um episódio do além nesse edifício. Passo a explicar.

Eram duas da manhã. A sessão da meia-noite tinha terminado e os cinéfilos dirigiam-se aos elevadores. Todos? Não todos. Ao ver a multidão que se avolumava em frente aos elevadores, alguns destemidos optaram pelas escadas. Sim, as escadas. Rolantes que não rolavam, já estavam desactivadas. Eis-me então no piso -1. Mas não era aqui que tinha deixado o carro. Naquele dia o parque estava especialmente lotado, obrigando o estacionamento no piso -2. Que não me agradou nada, pois aquelas espirais são absolutamente aterradoras. Uma mistura do Poço da Morte com Comboio Fantasma. Enquanto as mesmas pessoas continuavam em frente aos elevadores, que pacientemente escoavam cinco ou seis por viagem, reparei que as escadas que já não rolavam paravam no piso -1. Havia que descobrir as escadas de emergência. De emergência porque é assim que se chamam. É absolutamente proibido num local público garantir o transporte apenas por elevadores. Logo, não são de emergência, são apenas "as escadas". Este modo de vencer cotas, caído em desuso, deve ter o seu acesso bem visível e fácil, obrigatoriamente perto dos elevadores. Espreito para ali, espreito para aqui, não as encontro. Nem uma sinalizaçãozita a dizer ESCADAS ou EXIT ou mesmo ESCALERAS. Nada. Ora, no piso -1 as pessoas também já se acotovelavam para ganhar um milímetro na posição de embarque. Uns, mais incomformados, lá deixavam escapar um "não há direito", muito baixinho. Ora, munido eu dos meus conhecimentos e na certeza da existência das tão procuradas escadas, dirigi-me ao segurança. Baixo, de bigode, com a sua farda impecável, "walkie-talkie" na cintura, mãos reunidas atrás das costas segurando o conjunto de chaves. "Boa noite" pergunto numa operação de charme, "sabe dizer-me onde ficam as escadas?" Estaria eu salvo? "Quais escadas?" começava bem, o diálogo. "As escadas de emergência" disse, com o intuito de despertar alguma reação pavloviana no meu interlocutor. "Essas escadas são só para emergências". SÓ. Unicamente. Repeti a pergunta, incrédulo na resposta. Ouvi a mesma indicação. Ainda me passou pela cabeça tentar explicar-lhe que, para mim, ficar dez minutos à espera de elevador para descer um piso era, indubitavelmente, uma emergência. Contudo, resignado perante a autoridade demonstrada pelo senhor fardado, lá me dirigi para junto da multidão.

Obrigado João Soares. LAC
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