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quinta-feira, outubro 09, 2003

 

IMPRESSIONANTE

Até pode parecer um daqueles títulos que abrem o telejornal da TVI mas espero que seja bem mais do que isso, até porque não creio que tenha uma relação com sencionalismo. Vi no cine-estúdio 222 o filme Mega Cities, inserido dentro do programa do Ano Nacional da Arquitectura. Sem saber o que esperar lá fui eu na ignorância do que estava para vir.
O filme, para quem não conhece, aborda o tema das cidades, ou do viver na cidade, através de 4 exemplos: Bombaim, cidade do México, Nova Yorque e Moscovo. Não são cidades vulgares, são mega-cidades, cada qual com uma extensão de edificado a perder de vista, não são vulgares porque são demasiado populosas para isso, porque o que lá acontece é demasiado absurdo para poder ser considerado banal. Claro que o assunto não é direccionado no sentido da arquitectura, ou talvez até seja, fala-se da cidade sem falar da arquitectura, fala-se da cidade sem falar de urbanismo, fala-se de cidade através de pessoas dessa cidade, ou seja, fala-se daquilo a que corresponde da forma mais primária o nosso conceito de cidades: uma aglomeração de pessoas, que vivem, utilizam e fazem funcionar uma determinada área com uma qualquer variedade de serviços e bens.
Com uma história mais ou menos comum, as cidades que conhecemos hoje, ou têm uma origem medieval (para não dizer anterior) ou então desenvolveram-se por acção directa do “big-bang” da Revolução Industrial. A partir daí parece que o crescimento foi mais ou menos rectilíneo, evoluindo no sentido de uma crescente melhoria e desenvolvimento das mesmas, o que é dizer das gentes que dela fazem parte. Como já foi referido antes, o que se vive actualmente é uma espécie de implosão da cidade, quando depois de um crescimento acentuado a estrutura da cidade contém em si mesma uma série de ambiguidades que se traduzem no aparecimento de áreas “mortas”, estagnadas e carentes de reabilitação. Podia-se dizer que é sobre isto que Megacities fala, mas a verdade é que para os casos escolhidos a realidade é bem mais atroz: há as cidades que quer a nível de estrutura física quer a nível de estrutura social entraram em colapso. O que se vê não são cidades, não na plena expressão do termo, porque não são sinónimo de evolução ou de prosperidade, o que se vê são locais onde a degradação humana é reflexo da degradação circundante e onde para milhares ou milhões de pessoas o nome cidade é sinónimo de uma vida mal vivida na companhia de um número infidável de pessoas na mesma situação. Muitas foram as imagens que mostravam uma forma de vida que se poderia dizer medieval, se não fosse pelo simples facto de numa altura medieval não existirem tantos sonhos e tanta contradição entre progresso e realidade.
Questiono-me acerca da evolução de tais cidades, uma vez que tendencialmente essa evolução será feita no sentido de um aumento progressivo da população, da degradação e das zonas de lixo, que actualmente já são a perder de vista, já são por si próprias uma parte da cidade e da forma de viver em cidade. Não quero entrar pelo lado do fatalismo e anunciar aqui o fim do mundo mas a verdade é que de repente a ”cidade” levada ao limite é uma armadilha, um equívoco ao qual só sobrevive a incansável esperança humana. Claro que é fácil apontar o problema mas difícil é a sua resolução, até podia dizer que cabe aos arquitectos da nova geração guiarem a actualidade a um futuro risonho, mas não acredito no entanto que a arquitectura consiga transportar em si a pesada obrigação de encontrar uma solução. De qualquer forma gostava de contrariar uma das frases do filme : “o absurdo é uma herança de toda a humanidade”. AD

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