O PROJECTO

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quinta-feira, janeiro 08, 2004

 

in america



Este post tentará ser escrito evitando clichés e frases feitas, sentimalismos primários, choraminguices piegas, o que desde já se avizinha muito difícil. Tentará evitar também referências directas ao filme, porque quer assumir-se como um apelo sincero ao leitor para que, se ainda não teve oportunidade, o veja.

De vez em quando há filmes que se ultrapassam, fintando as fronteiras do cinema, elevando-se a qualquer coisa que não é definível em palavras. Este humilde escriba, que tenta passar uma mensagem, está no momento em que escreve estas palavras profundamente angustiado por saber que, independentemente do resultado destas frases, nunca conseguirá transmitir o que quer transmitir. O problema começa em saber o que quer transmitir, o que se torna bastante violento por estar ainda a recuperar a noção da realidade, olhando à volta e querendo acreditar que voltou à terra.

...

Fiquei a olhar para o cursor, cintilando devagar, a pedir-me palavras. Desisto. Não consigo falar sobre o filme. É demasiado angustiante querer partilhar isto e não conseguir. Resta-me dizer alguma coisa sobre as circunstâncias...

Comprei bilhete para o Senhor dos Anéis. Sentámo-nos na sala e o filme não começou. Um senhor vestido de azul (lembram-se, o homem de azul, em irlandês) disse-nos que a máquina avariou, peço desculpa, podemos trocar os nossos bilhetes.

Meia hora depois começava a projecção. Duas horas mais tarde levantei-me da cadeira e olhei à volta como se fosse a primeira vez que visse, que visse, que visse tudo. Espanto-me com a cor da noite, com o brilho das luzes, com os carros que cruzam, com o som do rádio, com o reflexo no espelho, como uma criança. Nada do que apreendo se parece com a sua imagem, estou banzado com a novidade das coisas, e sinto-me absurdo por ser cego, por saber que somos cegos.

in america é um filme sobre a bondade humana. O seu segredo é conseguir inventar essa noção, dizer simplesmente que ela existe. Num país deprimido faz-nos bem à alma. Não nos «toca», não nos «comove», não nos «impressiona». Não. São conceitos demasidado reais para descrevê-lo. Cumpre magistralmente a verdadeira função do cinema: emociona-nos.

Quero falar sobre cada cena, magnífica, cada revelação, todos os pormenores. Mas isso seria ofender o meu querido leitor que ainda não teve a experiência do filme. Desafio-o: veja esta película peculiar e atreva-se a sair da sala a mesma pessoa.

in america, como se todos fossemos crianças... LAC

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