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sexta-feira, janeiro 30, 2004

 

Quem vê caras não vê corações

Escrevo este post ao ver as telas alusivas ao Euro 2004 espalhadas por Madrid.
Hoje em dia as redes de protecção das obras são um espectáculo em si mesmo. É raro encontrar nos dias que correm nas obras do centro da cidade a verde serapilheira. Em vez disso acontece um de duas coisas: as redes que reproduzem em tamanho real o alçado do futuro edifício; e as enormes redes publicitárias (a marcas, a produtos).
Devo dizer que abomino a primeira e deliro com a segunda.
Abomino a primeira porque é rasca. Não se percebe a intenção da coisa. Na avenida Fontes Pereira de Melo há vários exemplos destes. Edifícios (estes) por recuperar, embrulhados numa representação «realista» da sua cara. Tenho para mim como uma enorme fonte de curiosidade e espanto um edifício coberto em obras. Pela surpresa que provoca o seu desvendar. Passam-se meses em que a rua apresenta ao mundo um edifício escondido, que está para nascer ou renascer, que oculta os seus mistérios. Chegado ao dia, e como uma criança que nasce ou um actor que aparece por trás da cortina vermelha, a tela desce a construção aparece brilhante e nova.
Estas telas que reproduzem o desenho são um atentado a esta surpresa. Não por serem fiéis, porque nunca o poderão ser, mas porque alimentam pobremente uma espectativa popular que é, invariavelmente, defraudada (para melhor ou para pior) quando o edifício finalmente se mostra.
Quanto às outras telas, as publicitárias, representam um manifestação urbana por excelência. A arte publicitária há muito que é reconhecida. Nestas teles, enormes, os criativos têm a oportunidade de emprestar à obra, durante uns meses, uma pele estranha e fantástica (pela estranheza ao meio). No imaginário urbano contemporâneo os símbolos publicitários representam um papel fundamental. O exemplo urbano por execelência: Times Square. Quem ousa retirar-lhe aquela orgia publicitária que a enche de cor todos os dias (e noites)? LAC

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