O PROJECTO

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sexta-feira, maio 14, 2004

 

Um política para a cidade

Falava entre amigos. Discutia-se a postura de Santana Lopes. É frequente ouvir-se exclamar a coragem do senhor. Porque ele enfrenta os interesses instalados, porque não tem medo de seguir as suas ideias, porque causa polémica. Eu, pelo contrário, acho que se há algo que define esta gestão camarária é exactamente uma profunda falta de coragem. Não há uma única ideia para Lisboa. Uma. Única. Leio hoje no jornal que a Bica e Santa Catarina vão ser interditas ao trânsito. Boa. E então? E quando não houver mais bairros onde por cancelas? Qual é o impacto destas medidas? A verdade é que PSL precisa de ser falado para existir, como bem escreveu Pulido Valente há uns dias. PSL é a sua projecção nos media; sem ela desaparece. Acontece que a gestão de uma cidade exige exactamente o contrário: recolhimento, projectos a longo prazo, coragem para enfrentar críticas anti-democráticas. O planeamento de uma cidade não se faz com concessões, com populismos. Gonçalo Byrne diz em recente entrevista: «A planificação em democracia é mais difícil do que no tempo do Marquês de Pombal ou do Salazar, em que havia uma autoridade.» É isto politicamente incorrecto? Não, é a mais pura das evidências. PSL acredita exactamente no oposto. Acredita, por exemplo, que o cargo de Presidente da Câmara é um cargo político. Nada mais errado. Não é, e não pode ser distorcido para parecê-lo. A gestão de uma cidade é uma tarefa eminentemente técnica, especializada. Requer ideias e projectos firmes. Não pactua com "medidas" de cabeçalho de jornal. Mas voltemos à falta de coragem. PSL teve nas mãos uma oportunidade única de mostrar que tinha um projecto. Nada de casinos, ou de gehrys, ou de fosters, ou de sizas, ou de rodas gigantes em monsanto: a questão da construção em altura. Sente-se que Lisboa terá de tomar opções. Como, quando, e porquê. Uma estratégia clara que todos entendam. Uma política para a cidade. E o que faz o corajoso PSL? Veste a túnica de Pilatos, lava daí as suas mãos, e chuta para canto inventando um referendo. Esta figura horripilante de exercício da democracia (?) ? que dá aso aos mais furiosos populismos - só produzirá um efeito claro: um alibi a PSL. Corajoso como é, não quer saber das consequências. Apenas se importa com o processo, rezando para o seu nome saia limpo desta trapalhada. Em vez de arregaçar as mangas e começar a definir a estratégia de construção em altura para Lisboa, bem como uma estratégia de ocupação da margem ribeirinha, lança um referendo sobre um caso isolado. Boa. Parabéns. Que grande estadista. Que grande líder. Seria tão fácil recorrer a metáforas sobre o túnel. Mas nem isso quero fazer. Só quero dizer isto: as câmaras não são lugares políticos. Não são. Mas o que dizer perante os factos? A vitória de PSL nas eleições fez cair um governo. E agora? Como se vai meter nas cabecinhas dos militantes que uma cidade não faz parte da retórica eleitoral? Eu não faço ideia. Privatizem-se as câmaras. Proibam os partidos políticos. Limpem o Alentejo da escumalha comunista. Prendam os Ferreira Torres todos, ou mandem-nos para o Brasil. Criem uma comissão de arquitectos, urbanistas e paisagistas para mandar na cidade. Estou-me nas tintas. Mas, por favor, decidam. E tirem-me o PSL da câmara. Por favor. Mandem-no para a presidência da república, onde fará muito menos mossa. LAC
Comentários:
Cruz Credo! PSL na presidência seria como Cardoso e Cunha na TAP: nem coisava nem saía de cima.
Em tudo o resto que escreveste, completamente de acordo. Mas a falta de uma visão de futuro é comum a todos os políticos de sucesso deste país, independentemente da sua côr política. Privatize-se o país (pode ser que tomem melhor conta dele).
PCG
(BTW: este sistema de comentários do blogger é um fracsso quase total)
 
Parece que os comentários não são lá grande espingarda, não. É pena. Não me apetecia ter de retirá-los de novo.
 
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