O PROJECTO

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sexta-feira, setembro 10, 2004

 

View: front

Eu não gosto de alçados. A sua inutilidade moderna torna o desenho enfadonho. É hoje, sem dúvida, o menos valorizado (e bem) elemento das três representações. A planta revela a organização, a hierarquia, os percursos sinuosos ou evidentes de uma máquina que se habita (?); o corte evidencia a construção, a materialidade, o modo secreto como tudo encaixa; o alçado não é mais do que uma triste ocorrência que não se pode evitar. Pode ser apenas o resultados dos outros dois, e geralmente é. Pega-se na planta, junta-se-lhe dois ou três cortes q.b., e olhando de frente tem-se o alçado. Pobre, resignado, submisso. Num mundo perfeito não haveria alçados. Num mundo perfeito todos os edifícios seriam como o novo Estádio de Braga, onde Souto Moura confessou não ter «sabido» fazer o alçado, portanto fez «um corte». Há inclusivamente quem se dedique exclusivamente (não resisti a este jogo de palavras) a alçados: são os «arquitectos de fachadas», aplicados técnicos de resolução de envolventes. O que só mostra como a coisa se tornou complicada de gerir. Os especialistas só aparecem se houver mercado. A verdade é que a arquitectura já não gosta de alçados. E os alçados já não gostam de arquitectura.

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