Contribuições, insultos, projectos de execução, mas principalmente donativos chorudos para:
Morreu Derrida. Não me interessa o que ele escreveu. Interessa-me o facto de ele ter inspirado uma das mais consistentes correntes arquitectónicas contemporâneas: o desconstrutivismo. Digo mais consistentes sem que isso implique uma valorização positiva. É consistente porque tem muitos seguidores, muita teoria, gerou muitos estrelatos. Por coincidência fazia referência na semana passada à
Coop Himmelb(l)au, que representa o expoente do movimento. Expoente porque empurram as suas obras até às últimas consequências. Mas claro que não são os únicos.
Eisenman,
Libeskind,
Zaha Hadid, Gehry,
Gunter Behnisch,
Owen Moss,
Tshumi, entre outros, todos vivem ou viveram o fascínio de se desconstruir. Agarrado a este fascínio vem a noção de que tudo isto é contrário à própria natureza da arquitectura, tudo é sedutoramente contraditório. Talvez por isso o desconstrutivismo tenha sido a coisa mais coerente e interessante que o pós-modernismo tenha gerado. Para quem estuda arquitectura e conhece minimamente as suas premissas e códigos, o desconstrutivismo é sempre interessante. E perigoso. Perigoso porque não deixa de dar a impressão de ser algo de masturbatório, passe a expressão, algo que se entretém sozinho. Uma obra desconstrutivista é exageradamente elitista. É snob. Só é acessível a alguns. Aos outros resta uma de duas reacções: ou espanto ou desdém, as duas baseadas no facto de ser algo de incompreensível. Por isso o desconstrutivismo não resolve nada, não acrescenta nada, não faz a arquitectura andar para a frente. São obras de orçamento elevado. O desconstrutivismo deve muito do seu sucesso aos media. Mais interessante do que uma obra desconstrutivista é a imagem de uma obra desconstrutivista. E as páginas das revistas agradecem.
publicada por Lourenço Cordeiro #
15:17